
Entrada de Sebastião Reis após o fim do mandato de Antônio Carlos Ferreira modifica a composição da Corte; divergências sobre decisões eleitorais ampliam a tensão entre ministros
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A entrada do ministro Sebastião Reis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após o encerramento do mandato de Antônio Carlos Ferreira, alterou a composição da Corte em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A mudança foi apontada em reportagem de O Globo, publicada nesta quarta-feira (14), como um fator que modifica a correlação de forças no tribunal e reduz o espaço de influência de Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, e André Mendonça, vice-presidente.
A alteração ocorre durante uma sequência de disputas judiciais envolvendo propaganda eleitoral, publicações em redes sociais, acusações de desinformação e pedidos de retirada de conteúdos das campanhas. O TSE tem sete integrantes, e a substituição de um ministro pode modificar a formação de maiorias em julgamentos colegiados. Isso não significa, porém, que os votos dos magistrados sejam automaticamente definidos por alinhamentos políticos.
Mudança na composição e disputa interna
Antônio Carlos Ferreira encerrou seu período como integrante da Corte e foi substituído por Sebastião Reis. Segundo a reportagem de Mônica Bergamo, publicada pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira, Ferreira era considerado próximo de Kassio Nunes Marques e André Mendonça nas disputas internas. A chegada de Reis alterou esse equilíbrio e contribuiu para o recuo de setores do PT que discutiam apresentar um pedido de suspeição contra o presidente do TSE.
A suspeição é um instrumento jurídico utilizado para questionar a imparcialidade de um magistrado em determinado processo. A discussão relatada pela imprensa foi motivada pela avaliação de integrantes do PT de que decisões de Kassio poderiam beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Essa avaliação é atribuída ao partido e não constitui, por si só, prova de parcialidade do ministro.
Kassio Nunes Marques nega atuar em benefício de qualquer candidatura. Segundo a reportagem da Folha, o presidente do TSE sustenta que suas decisões seguem critérios jurídicos e que as críticas recebidas representam tentativas de intimidação.
Decisões sobre as campanhas ampliam o conflito
A disputa entre os ministros ficou evidente no caso do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Em 11 de outubro, Kassio determinou que o canal fosse retirado do ar em até três horas, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão foi posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou insuficientes as provas apresentadas naquele momento.
Em outro episódio, André Mendonça determinou a suspensão do impulsionamento pago de publicações da campanha de Lula contra Flávio. Em sentido inverso, o TSE decidiu por unanimidade pela retirada de três publicações do candidato do PL que associavam o presidente ao crime organizado, depois de Mendonça rever seu posicionamento inicial.
Os episódios demonstram que os processos eleitorais têm produzido decisões distintas conforme o conteúdo analisado, a fase processual e a avaliação dos elementos apresentados. Para estabelecer eventual tratamento desigual, é necessário comparar decisões semelhantes, seus fundamentos jurídicos, os prazos adotados e os recursos disponíveis às partes.
Número de ações cresce no segundo turno
Em reunião com representantes das duas campanhas na terça-feira (13), Kassio alertou para os efeitos do excesso de judicialização sobre o debate eleitoral. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o TSE contabilizava 162 processos de representação e direito de resposta nos nove dias seguintes ao primeiro turno, aumento de 217,65% em relação ao mesmo período das eleições de 2022, quando foram registradas 51 ações.
Os processos envolvem pedidos de remoção de publicações, alegações de desinformação, uso de inteligência artificial, propaganda irregular e disputas sobre o alcance de conteúdos nas plataformas digitais. As duas campanhas também têm recorrido à Justiça para contestar materiais divulgados pelos adversários.
O aumento das ações coloca em discussão a velocidade de resposta do tribunal e a necessidade de critérios uniformes para casos semelhantes. Ao mesmo tempo, a análise de cada pedido exige considerar o conteúdo questionado, as provas disponíveis e o direito de defesa.
O que muda com a nova composição
A entrada de Sebastião Reis modifica a distribuição dos integrantes da Corte e pode influenciar votações futuras. O efeito concreto dependerá dos processos julgados, dos votos apresentados e da formação das maiorias em cada caso.
A composição do TSE, portanto, tornou-se parte do contexto institucional da disputa eleitoral. A identificação de proximidades entre magistrados e determinados campos políticos, relatada por veículos de imprensa, não substitui a análise dos fundamentos das decisões nem comprova que um ministro atue para favorecer uma candidatura.
O acompanhamento dos julgamentos, dos votos individuais e dos prazos processuais permitirá verificar como a nova composição se refletirá nas decisões eleitorais até o encerramento da disputa presidencial.


