Ação mira empresários, influenciadores e agiotas ligados a traficantes mais procurados do país; seis pessoas foram presas e um suspeito morreu em confronto
Por Sandra Venancio
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas, em parceria com o 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) da Polícia Militar, deflagrou nesta quinta-feira (30) uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil.
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A ação tem como alvos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), além de empresários, agiotas e influenciadores digitais suspeitos de movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas. Ao todo, a Justiça decretou nove prisões preventivas — seis foram cumpridas até o início da tarde, enquanto três investigados seguem foragidos.

Durante o cumprimento dos mandados, houve confronto entre policiais e um dos suspeitos, que morreu no local. Um policial militar foi baleado e encaminhado ao Hospital de Clínicas da Unicamp, onde permanece internado em estado estável.
De acordo com as investigações, os principais nomes ligados ao esquema são Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão”, “Xixi” ou “2X”, e Álvaro Daniel Roberto, o “Caipira”. Ambos estão foragidos há anos e figuram entre os criminosos mais procurados do país. Embora mencionados na operação, não são alvos de prisão nesta fase.
Além das prisões, a Justiça autorizou 11 mandados de busca e apreensão, o bloqueio de 12 imóveis de luxo e o congelamento de valores em contas bancárias. As ações se concentram em condomínios de alto padrão de Campinas, como Alphaville, Entreverdes, Jatibela e Swiss Park, e se estendem também a imóveis em Mogi Guaçu e Artur Nogueira.
Segundo o Gaeco, o grupo utilizava empresas de fachada e investimentos imobiliários para ocultar e reinserir no sistema financeiro recursos provenientes do tráfico de drogas e da cobrança de dívidas ilegais.
A operação, que segue sob sigilo judicial, é considerada uma das maiores já realizadas na região de Campinas contra o braço financeiro do PCC. As autoridades estimam que o esquema tenha movimentado milhões de reais em ativos ilícitos ao longo dos últimos cinco anos.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) informou que novas fases da operação estão previstas e que os bens apreendidos serão encaminhados para perícia contábil e patrimonial.




