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segunda-feira, março 23, 2026
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Gastrite – Conheça este vilão

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Quem nunca sofreu com aquela “dorzinha” chata e incômoda no estômago? Embora desconfortante, e em muitos casos pavorosa, as dores em geral, incluindo as que afetam o estômago, constituem um importante alerta para o diagnóstico e a avaliação de uma possível patologia (doença). Por meio da dor, é possível saber se existe alguma coisa errada no organismo. Normal em qualquer faixa etária, as dores no estômago podem ser despertadas por vários motivos e fatores, desde uma simples prisão de ventre, estresse, refluxo, azia e gases a problemas mais sérios como gastrite e úlcera. Sendo um das queixas mais frequentes da população, a gastrite, o mal moderno, lidera o ranking dos problemas relacionados ao estômago. No entanto, a maioria das pessoas que sofrem com este mal utiliza o termo “leigamente”, pois, atribui quaisquer desconfortos relacionados ao aparelho digestivo à gastrite propriamente dita.


Mas o que é a gastrite?

A gastrite é a inflamação da mucosa gástrica (tecido superficial do estômago – equivalente à mucosa da boca). Esta inflamação acontece quando o organismo sofre algum tipo de agressão (não necessariamente física), desencadeando vários sintomas que podem resultar em um quadro agudo ou crônico dependendo do caso. Segundo o gastroenterologista do Grupo Ana Rosa, Dr. Renê Russo, hoje podemos dividir a gastrite em dois seguimentos: a de origem bacteriana e a não bacteriana, sendo que, na grande maioria dos casos, é uma patologia advinda dos familiares, ou seja, é hereditária. Ele explica que a doença pode se desenvolvida em qualquer fase da vida de uma pessoa. (Isto acontece, pois a maioria da população mundial tem armazenada em seu corpo a bactéria Helicobacter pylori), conhecida também como H. pylori. Descoberta há pouco, e intitulada cientificamente em 1989, a bactéria é contagiosa e tem afetado milhões de pessoas. Estima-se que mais de 80% da população, em países em desenvolvimento, e 50% a 60% das pessoas em países desenvolvidos a possuem. Sendo que, na África o índice é maior, podendo chegar a 90% da população local.
Geralmente, a transmissão da bactéria acontece em ambientes que usufruem de pouca higiene. Sendo que o contágio é realizado oralmente através do ar, do contato fecal, da ingestão de alimentos e água contaminados. Segundo estimativas, uma das classes mais afetadas é a de baixo nível sócio-econômico.
No entanto, além da origem bacteriana da doença (conhecida também como gastrite crônica), existem outros fatores que são preponderantes no desencadeamento de um quadro de gastrite. Entre eles, está o consumo exagerado e o abuso de bebidas e alimentos inadequados (como refrigerantes, bebidas alcoólicas, bebidas à base de cafeína, fast food, e outros). Além disso, o jejum prolongado, o uso do tabaco, o consumo de medicamentos sem prescrição médica e também o estresse, cansaço, agitação e a correria decorrente do dia a dia também ajudam no aparecimento da doença. Todas essas ações podem culminar na também conhecida gastrite aguda, na qual geralmente a dor é latente, incômoda e forte.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas são muitos, inclusive a gastrite pode ser assintomática, ou seja, estar incubada dentro do corpo do paciente, pessoa portadora da bactéria, e não apresentar sintomas visíveis, entretanto, isto depende do estágio e grau que a doença se encontra, sendo que, usualmente este fato específico, só acontece nos casos crônicos.
“Nem todos tem sintomas, principalmente aquelas pessoas que tem hábitos alimentares saudáveis” – explica o médico gastroenterologista, Dr. Renê Russo.

Conforme salienta, esses (os sintomas) podem ser múltiplos, porém, os mais frequentes são as dores epigástricas (dor na boca do estômago), desconfortos abdominais na região superior do estômago, podendo estar associada ao estufamento pós-prandial (sensação de estômago muito cheio após a alimentação), eliminação de sangue nas fezes ou nos vômitos, nos casos da evolução da gastrite para um acometimento mais grave, como uma úlcera gástrica, quadros de hemorragia digestiva alta, principalmente em pacientes que utilizam medicamentos a base de derivados do ácido acetil-salicílico (AAS), e por fim, dificuldade de digestão.

O gastroenterologista afirma que os sintomas da gastrite considerada crônica e a aguda diferem apenas no tempo e na sua periodicidade. “A diferença do caso agudo e crônico é o tempo de existência da sintomatologia e sua periodicidade que é maior, ou seja, ela vai e volta frequentemente”.
Já o diagnóstico que detecta um caso de gastrite é feito em primeira instância, com uma análise comportamental dos hábitos de vida do paciente. O profissional de medicina analisa os medicamentos que pessoa costuma utilizar, investiga seu quadro clínico, se tem outras doenças já diagnosticadas, que se não tratadas podem vir a piorar e agravar o estado do doente, analisa sua alimentação, se consome bebidas alcoólicas e se possui casos da doença existentes na família.
Depois realizada esta pequena análise, dependendo do caso, o médico solicita a realização do exame conhecido como endoscopia digestiva alta. Este exame pode ser feito com ou sem biópsia (retirada de pequenas amostras de tecido). Sendo eficaz no diagnóstico, o exame é o mais utilizado e realizado nos casos de suspeita de gastrite.
Tratamento e riscos

O tratamento da gastrite varia de um caso para ou outro, na grande maioria das vezes ele é feito através de um acompanhamento médico, para alguns pacientes o uso de medicamentos se faz necessário e, em outros, apenas uma dieta rigorosa e balanceada resolve.
“Nem todos os casos necessitam de um tratamento medicamentoso, mas uma boa dieta ajuda para que doença não se agrave. O importante é sempre se ater as dores abdominais. Toda dor abdominal na área do estômago que começa a ficar constante ou intensa, deve ser levada em consideração. Nestes casos, o médico deve ser sempre procurado” – afirma Russo.
Embora não tenha cura conforme afirma Russo, a gastrite deve ser tratada, pois se não esta pode evoluir para outras patologias de intensidade maior.

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