Se não sobram críticas, também faltam elogios dos moradores dos distritos de Sousas e de Joaquim Egídio à administração do prefeito Jonas Donizette, eleito com o compromisso de mostrar o ‘jeito PSB’ de governar. A gestão do prefeito, que completou um semestre no final de junho, caminha a passos lentos, acreditam os moradores dos distritos, numa marcha bem diferente do que se anunciou durante a campanha eleitoral.
Numa avaliação simplificada, moradores de Sousas e de Joaquim consideram a Administração “mais ou menos”, o que em uma escala de valores lhe conferiria uma média de, no máximo, 5. A constatação vem das opiniões colhidas de maneira aleatória pelo Jornal Local, junto à população que transitava pelas principais ruas dos distritos – ou descansava em suas praças – na segunda-feira, dia 23 de junho. Foram ouvidas 25 moradores de ambos os sexos.
Na avaliação pôde-se notar que, embora a maioria das pessoas ouvidas tenha algo de ruim a apontar, prefere ainda dar um crédito ao prefeito. Ou seja, demonstram paciência, mas não deixam de estar alertas e com a visão crítica bem aguçada. Apenas acreditam que seis meses ainda é um tempo curto para avaliá-lo. E esperam não ser decepcionadas quando o prazo de governo se alongar.
Quando faz sua avaliação dos seis meses do governo Jonas, o arquiteto Eduardo Rosa, aponta a lentidão da máquina administrativa, em especial no que se refere à aprovação de projetos relacionados à área em que atua como um dos grandes problemas ainda não resolvidos ou, pelo menos minimizados. “É tudo muito lento. O ‘corpo’ da Prefeitura nesta área acaba prejudicando a evolução da cidade. E ainda não vi sequer um projeto ou fala de autoridade no sentido que isso seja mudado”, afirma.
Para o arquiteto há também sérios problemas relacionados à segurança pública. “Os distritos têm experimentado um grande número de assaltos, de furtos e de violência em geral que não se pode aceitar”. Além da segurança, Rosa cita também o descaso com o patrimônio histórico da cidade e as praticamente inexistentes ações relacionadas às práticas sustentáveis. “Nem coletoras de lixo existem”, ressalta, afirmando que, “tudo isso sem contar as condições de preservação e de manutenção das praças públicas. “Parece que nada mudou, que tudo está como sempre esteve”, assinala.
No mesmo sentido, o jornaleiro Marcos Domingues, afirma: “nem parece que mudou o prefeito; os postos de saúde continuam oferecendo péssimas condições de atendimento; a falta de remédios prossegue; os buracos nas vias continuam aparecendo e a limpeza das ruas e manutenção das praças deixam muito à desejar”, critica.
Na fileira dos que mostram descontentamento, um servidor público aposentado que preferiu não ter seu nome divulgado, diz que jamais perdoará Donizette pelo que fez com os funcionários públicos municipais na última campanha salarial da categoria. “Preferiu, antes de dialogar com os trabalhadores, colocar o assunto na Justiça. Isso não se faz. Isso mostra o caráter deste governo e o que ele pensa dos que se dedicam para representá-lo junto à população, seja via prestação dos serviços de manutenção da cidade ou no atendimento diário ao povo. Não se trata servidor desta maneira”, criticou, assinalando também sua rejeição ao sindicato que por ter grande parte dos diretores ligados ao partido político do prefeito, subordinou a luta da categoria aos seus próprios interesses políticos.
Eleitor de Jonas Donizette, o proprietário de um bar no centro do distrito de Sousas, que preferiu também não ter seu nome divulgado, diz não ter visto ainda, nesses seis meses de gestão, nada que se possa comemorar. “Não percebi inda nada de bom, não. Mas acho que devemos esperar mais um tempo e ficar na expectativa de que ele realize suas promessas de campanha, que não eram poucas”, pondera.
Outro comerciante, que, igualmente, não quis ser identificado, confessa que na eleição passada não escolheu Donizette para ocupar o Executivo da cidade e que, por conta disso, não se surpreende com a ‘inércia’ da atual Administração. “Muita gente se enganou. Foi levada simplesmente pelo discurso de bom moço. Mas para ser prefeito é preciso ter muito mais que isso”, diz. Para ele, que ‘pouco esperava do atual prefeito, a expectativa está sendo confirmada’.
Joaquim dos Santos Neves, disse ver com preocupação a ‘lentidão’ com que os problemas da cidade estão sendo atacados. “Devemos considerar que ele não pegou a Prefeitura nas condições ideais e que para tudo é preciso tempo para resolver. Mas ele já sabia disso (que encontraria problemas). Está demorando para mostrar a que veio”, analisa.
Na opinião de Santos Neves, houve muita ‘politicagem’ nos critérios de Jonas para, por exemplo, escolher seus secretários e assessores. ‘Muitos foram nomeados apenas porque fazem parte dos grupos que apoiaram o então candidato. Mas o que Campinas precisa não é de apoiadores de campanhas. É de gente técnica, capaz de levar a cidade para frente, de atrair investimento, porque está tudo parado e a cidade perde com isso”, pondera.





