Moradores de distritos reclamam da qualidade do transporte municipal

0
108

onibus 1

 

Pressionado pela forte voz das ruas, o prefeito Jonas Donizette recuou por duas vezes em relação ao preço da tarifa do transporte coletivo na cidade. No primeiro deles, quando as vozes apenas começavam a ecoar, reduziu a tarifa – a mais cara do Brasil – de R$ 3,30 para R$ 3,20, valor que começaria a vigorar em 1º de julho. Na segunda, quando por  força das vozes já provocava estrondo, a tarifa voltou aos mesmo R$ 3,00 de sete meses atrás.

A simples redução, porém, está longe de satisfazer, em boa parte,  os milhares de moradores dos distritos de Sousas e de Joaquim Egídio que utilizam do chamado transporte público, mas operado com empresários do setor privado. Eles querem mais. E para confirmar isso batam alguns minutos de conversa – com quem chega a esperar um ônibus por até 45 minutos, ou mais – nos sempre lotados pontos de ônibus dos distritos, depois de um dia cansativo de trabalho ou para iniciá-lo. Sem contar quem tem compromisso com horário marcado e, para não perdê-lo – se antecipa ate uma hora.

“Não é possível que precisemos levar até uma hora e meia para percorrer os pouco mais de 15 quilômetros até o Centro da cidade. E o que é pior, muitas vezes em ônibus em péssimas condições de manutenção”, diz a aposentada Maria das Graças Santos, enquanto esperava o ônibus em um ponto a Avenida Izabelita Vieira, em Sousas, no início da tarde da segunda-feira, dia 23 de junho.

Além da falta de pontualidade – e de organização na liberação dos veículos, já que muitas vezes passam todos de uma vez, ficando depois um longo período sem a chegada de outro – a precariedade da frota é outro ponto de descontentamento dos usuários. “Sempre tem ônibus quebrado; com marcha que não entra, que nem sequer consegue subir direito a (avenida) Moraes Sales logo depois do Laurão (Viaduto São Paulo). Um horror”, conta a auxiliar Administrativa Cecília Pereira do Santos.

A falta de paciência dos motoristas que muitas vezes, segundo os usuários dirigem falando ao celular, é apontada também como exemplo do péssimo serviço prestado. “Sobre o preço nem sei o que dizer, porque tenho mais de 70 anos e não pago. Mas sobre o tratamento dado ao passageiro, digo que é muito ruim”, conta a aposentada Augusto Soares dos Santos que, por conta da idade não tem rapidez para subir ou descer do coletivo. “Dia destes o motorista acelerou e quase saiu enquanto eu descia. Foi por pouco que não cai”, diz.

Usuária do transporte coletivo, em especial para levar o marido doente às consultas médicas, Maria Nicéia Maciel, acredita que as condições do transporte em Sousas demonstram o descaso das empresas – e também das autoridades municipais – em relação à população. “Tem de mudar tudo: o preço ainda é alto, a pontualidade é uma tristeza de ruim e a frota, de péssima manutenção”, resume.

Em resposta aos problemas apontados pela população, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) informa que, em relação às linhas 3.90 – Joaquim Egídio; 3.91 – Nova Sousas (Inclusivo),3.92 – San Conrado e 3.93 – Cabras / Sousas / Estrada de Sousas – já foram feitas, desde o início do ano, 80 autuações por diversos problemas, como atraso, falta de veículos no horário, corte de itinerário, excesso de velocidade, maus tratos, estado de conservação, campainha quebrada e até limpeza dos ônibus, entre outras. Todas geraram punição financeira à empresa Pádova, responsável pelas linhas.

A EMDEC orienta ainda aos usuários que toda reclamação ou denúncia dos usuários devem ser realizadas pelos 156 ou 3772-1517 e também pelo Fale Conosco no site da Emdec (www.emdec.com.br). Por estes meios, gera-se um protocolo pelo qual o usuário pode acompanhar o andamento do processo de sua queixa. Disparará uma fiscalização e, após, uma resposta ao solicitante.

O Jornal Local procurou, no dia 27 de junho, a empresa Pádova, responsável pela operação das linhas de transporte coletivo nos dois distritos . Mas até o fechamento da edição a Transurc, que intermediaria as informações não havia ainda respondido aos reclamos da população que se utiliza das linhas.

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui