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CUT denuncia atuação de Bolsonaro durante pandemia na OIT

Em uma reação já característica, representantes do governo Bolsonaro que participavam da reunião, reagiram à exposição dos fatos e reivindicaram um ‘direito de resposta’ à mesa diretora.

 

 

 

A degradação do mercado de trabalho brasileiro com destaque para o trabalho doméstico foi denunciada pela CUT, nesta segunda-feira (30), na 110ª reunião da Conferência Internacional do Trabalho (CIT) da OIT, realizada em Genebra, na Suíça.

A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, fez um discurso enfático que retratou ao mundo tanto as causas do retrocesso em direitos, condições de trabalho e diminuição de renda como seu responsável direito, o presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Em nome da CUT, que tem legitimidade para falar em nome dos trabalhadores, eu me inscrevi para fazer a denúncia sobre o que aconteceu – e acontece ainda – no Brasil durante a pandemia. Mostrei dados sobre a pobreza, o desemprego e as mortes por causa da atuação do governo”, explicou a dirigente ao PortalCUT.

“Terminei minha fala com a frase Que te vayas, Bolsonaro que, em português é Fora, Bolsonaro”, completou Juneia.

Em uma reação já característica, representantes do governo Bolsonaro que participavam da reunião, reagiram à exposição dos fatos e reivindicaram um ‘direito de resposta’ à mesa diretora.

Juneia conta que, de forma grosseira, afirmaram que ela “não se ateve aos pontos que ali estavam em pauta, sobre o tema que era ‘em tempos de pandemia o que estava sendo feito’ e ainda que estava usando a OIT como palco para fazer política.

De acordo com informações da coluna de Jamil Chade, no UOL, que falou sobre a intervenção da CUT, o governo alegou que o Brasil estaria se recuperando em um ritmo mais rápido que outros países e que medidas adotadas durante a pandemia protegeram milhões de empregos.

A dirigente da CUT reagiu à resposta dada pelo governo ao colunista. “Era de se esperar uma reação assim. É prática do governo mentir lá fora ou esconder a realidade. Em todas as denúncias que se faz em espaços internacionais isso acontece”, disse Juneia.

“Nenhuma inverdade foi dita”, reforçou a secretária da Mulher da CUT, acrescentando que o governo “realmente atuou para não responder à pandemia, aliás, foi seu principal aliado”.

 

Não podemos e não vamos nos calar. Temos a responsabilidade e o dever de dizer ao Brasil e ao mundo que o governo Bolsonaro é fascista. Juneia Batista

– Juneia Batista

 

A denúncia

Em meio a representantes de trabalhadores, empresários e governos de vários países, Juneia classificou a situação brasileira como um “desastre econômico” e afirmou que o projeto político do atual presidente tem como base a destruição de direitos sociais e trabalhistas conquistados ao longo de décadas de luta do movimento sindical.

Em sua denúncia, a dirigente detalhou o quadro do mercado de trabalho no Brasil, que além do desemprego, tem alto índice de informalidade (cerca de 40,1%) e queda nos rendimentos ao longo dos anos, fatores que somados à alta taxa de inflação, penalizam a classe trabalhadora, em especial os mais pobres, acentuando a desigualdade no país.

Todas essas condições, ela afirmou, se refletem de forma mais acentuada no trabalho doméstico. Junéia levou ao conhecimento da OIT que salário médio nacional das empregadas domésticas (a maioria é formada por mulheres negras) caiu cerca de R$ 200 no ano passado ficando em R$ 876, patamar abaixo do salário mínimo (R$ 1.212). Afirmou ainda que o número de trabalhadoras domésticas diminuiu – 1,5 milhão perderam seus empregos – e a jornada aumentou para 52 horas semanais, em média.

A responsabilidade por este quadro caótico e trágico para a classe trabalhadora, conforme a denúncia feita na OIT, é do governo Bolsonaro, que destrói direitos, corta recursos, privatiza estatais e serviços públicos, ataca a organização sindical, além de ter uma conduta negacionsita que ocasionou a morte de mais de 666 mil pessoas, desde o início da pandemia.

A dirigente destacou ainda a destruição do meio ambiente, os ataques à democracia e o discurso sempre preconceituoso de Bolsonaro.

 

 

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