Saída de Ratinho Jr. da disputa presidencial força rearranjo no PSD e intensifica articulações de Kassab por uma candidatura competitiva ao Planalto em meio à polarização política

O presidente nacional do Gilberto Kassab afirmou nesta semana que o PSD manterá candidatura própria à Presidência da República, mesmo após o governador do Paraná, Ratinho Júnior, desistir da corrida eleitoral. A declaração foi feita em rede social nesta segunda-feira (24), em meio à pressão interna para definição do nome até o fim de março.
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Na publicação, Kassab elogiou a gestão de Ratinho Jr. e classificou o governo como “o melhor da história do Paraná”, destacando avanços em educação, segurança e infraestrutura. Nos bastidores, porém, a saída do governador da disputa expõe uma reorganização estratégica dentro do partido e acirra a disputa entre outros dois nomes: Eduardo Leite (PSDB) e Ronaldo Caiado (União Brasil), ambos cortejados pela sigla.
Disputa por espaço e interesses cruzados
A fala de Kassab reforça o discurso da chamada “terceira via”, ao afirmar que o partido buscará uma alternativa à polarização nacional. No entanto, a movimentação ocorre em um cenário de forte articulação política envolvendo alianças regionais e interesses econômicos. Kassab, que também ocupa cargo estratégico no governo paulista, mantém trânsito entre diferentes espectros políticos, o que amplia o peso do PSD nas negociações nacionais.
A possível filiação ou apoio a nomes como Eduardo Leite e Ronaldo Caiado indica que o partido pode priorizar viabilidade eleitoral em detrimento de candidatura própria “pura”, abrindo margem para composições que atendam interesses de setores empresariais e do agronegócio — bases influentes nas gestões dos dois governadores.
Fontes ouvidas sob reserva apontam que a desistência de Ratinho Jr. pode ter sido influenciada por cálculos políticos e pela dificuldade de consolidar apoio nacional fora do Sul. Além disso, há avaliação interna de que sua candidatura poderia fragmentar ainda mais o campo de centro-direita, beneficiando adversários já consolidados.
Publicamente, Kassab reafirmou o compromisso do partido com candidatura própria e disse que a definição ocorrerá até o fim de março. “O PSD se mantém firme em sua decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura que será a melhor via”, escreveu.
A movimentação do PSD também é interpretada por analistas como instrumento de pressão nas negociações eleitorais de 2026, podendo servir como moeda de troca em alianças futuras, tanto no plano federal quanto nos estados.




