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sexta-feira, fevereiro 6, 2026
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Lula abre vaga de vice e mira MDB para cercar Tarcísio em SP

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Presidente admite mexer na chapa com Alckmin para acomodar aliados e reforçar palanque no maior colégio eleitoral do país

Pela primeira vez desde que assumiu o terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou publicamente que a chapa vitoriosa de 2022 pode não se repetir na tentativa de reeleição em 2026. Em um movimento calculado para ampliar sua base de apoio e isolar o bolsonarismo, Lula admitiu a possibilidade de Geraldo Alckmin (PSB) deixar a vice-presidência para disputar o Governo de São Paulo ou o Senado. O objetivo é duplo: abrir espaço para uma indicação do MDB na chapa nacional e construir um “palanque de ferro” em São Paulo para enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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A estratégia de Lula, revelada em entrevista ao UOL, coloca nomes de peso como Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e o próprio Alckmin como peças móveis no tabuleiro paulista. “Eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo”, afirmou o presidente, elevando a temperatura nos bastidores do Planalto. A movimentação visa garantir que o PT e seus aliados não apenas sobrevivam no estado, mas que consigam reduzir a vantagem da oposição, que em 2022 garantiu a Tarcísio uma vitória com 55% dos votos válidos.

A estratégia do presidente Lula de atrair o MDB para a sua chapa de reeleição esbarra em uma realidade sólida: o “cinturão emedebista” no interior de São Paulo. Foto Ricardo Stuckert/PR

A sedução do MDB e o “fantasma” de Temer

O foco central de Lula é atrair o MDB para uma aliança formal, garantindo tempo de TV e capilaridade nacional. No entanto, o partido é um “quebra-cabeça” histórico. Enquanto a ala liderada por Helder Barbalho (Pará) é próxima ao governo, o diretório de São Paulo, comandado por Baleia Rossi, já oficializou apoio à reeleição de Tarcísio de Freitas. Lideranças petistas lembram com cautela dos episódios de 2010 e 2014, quando o então vice Michel Temer personificou uma aliança que nasceu conflagrada por divisões regionais e terminou no impeachment de Dilma Rousseff.

Simone Tebet: O fator PSB em São Paulo

A ministra Simone Tebet emerge como uma figura estratégica. Sem espaço no MDB paulista — que caminha com o bolsonarismo pragmático de Tarcísio —, Tebet recebeu convites formais para se filiar ao PSB. A mudança de domicílio eleitoral para São Paulo e a troca de legenda permitiriam que ela fosse a candidata ao Senado ou até ao Governo na chapa de Lula, servindo de ponte para o eleitorado de centro que ainda resiste ao PT.

Alckmin e Haddad: O dilema dos cargos

  • Geraldo Alckmin: Avalia que seu eleitorado tradicional migrou para Tarcísio e prefere manter a posição de vice, onde atua como fiador junto ao setor produtivo. Sua saída para disputar o estado exigiria desincompatibilização até abril.
  • Fernando Haddad: Sofre pressão interna do PT para repetir a dose de 2022, quando ajudou a alavancar os votos de Lula em SP. O ministro, contudo, prefere seguir na Fazenda para consolidar a agenda econômica, vista como o principal ativo da reeleição.

A decisão final de Lula deve ser anunciada apenas no meio do ano, mas o recado foi dado: para vencer em 2026, o presidente está disposto a sacrificar a atual formação do governo em nome de uma coalizão que “cerque” seus adversários nos estados mais hostis ao petismo.

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