Lula divulga carta a evangélicos e aborda família, segurança e jornada de trabalho

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O texto integra a comunicação eleitoral do candidato com o público evangélico, segmento que reúne diferentes denominações, posições políticas e interpretações religiosas. Foto Ricardo Stuckert/PR

Documento publicado nesta quarta-feira (14) reúne compromissos do presidente com políticas sociais, liberdade religiosa e combate às apostas on-line durante a campanha à reeleição.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, divulgou nesta quarta-feira (14) uma carta dirigida às famílias evangélicas brasileiras na qual apresenta compromissos relacionados à proteção das famílias, à segurança pública, à liberdade religiosa, ao combate às apostas on-line e à redução da jornada de trabalho. No documento, Lula pede que os eleitores busquem discernimento antes de decidir o voto no segundo turno e afirma que pretende ampliar as políticas voltadas à renda, à saúde e à proteção social.

Na abertura da mensagem, Lula declara que não é evangélico, mas afirma respeitar todas as religiões. Para aproximar sua trajetória das experiências das famílias destinatárias, menciona a criação ao lado da mãe, Dona Lindu, e dos sete irmãos. O presidente apresenta o trabalho, a família e a melhoria das condições de vida da população de baixa renda como referências de sua atuação política.

“Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras”, escreveu Lula, ao defender que a proteção familiar seja uma das bases das políticas públicas.

Na carta, o presidente também faz referência à sua trajetória política e à fé religiosa. Ao afirmar que chegou à Presidência com a “proteção divina”, associa sua atuação à ideia de propósito e missão. O texto integra a comunicação eleitoral do candidato com o público evangélico, segmento que reúne diferentes denominações, posições políticas e interpretações religiosas.

Combate às apostas e descanso semanal

Entre as medidas mencionadas, Lula destaca o combate às apostas on-line, conhecidas como bets, que, segundo ele, têm provocado prejuízos às famílias. O presidente também reafirma seu empenho em garantir dois dias de descanso semanal aos trabalhadores.

“A vida não se resume ao trabalho”, afirma na carta. O candidato relaciona a ampliação do descanso ao convívio familiar, ao lazer e à participação em atividades religiosas.

A proposta de mudança na jornada de trabalho envolve discussões sobre escala semanal, remuneração, produtividade e custos para os empregadores. A carta, porém, não detalha o modelo de implementação, os prazos ou as regras que seriam adotadas para assegurar os dois dias de descanso.

Segurança pública e proteção das mulheres

Lula afirma que pretende intensificar o combate ao crime organizado por meio de ações de inteligência e defende medidas para proteger mulheres, crianças e adolescentes. O documento também menciona o enfrentamento de diferentes formas de violência e a preservação de vidas.

Ao abordar a liberdade religiosa, o presidente declara que não apoia políticas destinadas a fechar templos ou desrespeitar a fé. A manifestação ocorre em um contexto de disputa eleitoral no qual a relação entre religião, direitos e políticas públicas integra o debate entre candidatos.

Renda, saúde e meio ambiente

Na parte final, Lula afirma que pretende ampliar a renda real da população, preservar o poder de compra e melhorar a saúde pública. Também menciona a preservação da natureza como parte dos compromissos que pretende manter.

“Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade”, escreveu o presidente.

A carta termina com um apelo para que as famílias evangélicas reflitam sobre a escolha eleitoral e busquem orientação religiosa antes de votar. Lula agradece a atenção dos leitores, pede orações e manifesta esperança na vitória.

Leia a seguir a carta do presidente Lula aos evangélicos

“Carta de Luiz Inácio Lula da Silva para as Famílias Evangélicas Brasileiras

Queridas famílias evangélicas do Brasil,

Resolvi escrever a vocês com o coração aberto, cheio de verdade, pois os cristãos com quem tenho dialogado estão me ensinando que a Bíblia nos orienta a “seguir a verdade em amor.” Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras, pois somente lares fortes podem produzir uma nação forte!

Aprendi dentro de casa o valor do trabalho, resistindo bravamente com minha mãe, Dona Lindu, para criar uma família com sete irmãos. Com essa base familiar sólida, aprendi a amar e a lutar para transformar a realidade. É nesse chão que a minha história se encontra com a história de vida e de fé da sua família. Entrei para a política com esse compromisso em meu coração: ajudar a mudar as condições de vida das famílias pobres e batalhadoras.

Numa longa e difícil jornada, me tornei Presidente do Brasil por três vezes. Agora, disputo o quarto mandato. Cheguei até aqui com a proteção divina, orientado por um propósito e missão. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei. Guiado por Ele estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos.

Dentre as várias ações do meu governo que abençoam suas famílias, relembro a vocês, por exemplo, o combate às apostas online, as Bets, que estão destruindo tantos lares, e meu empenho para que todos tenham dois dias de descanso semanal, pois a vida não se resume ao trabalho.

As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração. Sigo também empenhado em proteger as mulheres, combater todos os tipos de violência e o crime organizado com inteligência: prender os bandidos, proteger as nossas crianças e adolescentes e poupar as vidas inocentes.

Jamais poderão nos acusar de estarmos comprometido com políticas que destroem vidas, que fecham templos ou que não demonstrem respeito, como Jesus nos ensinou, que devemos amar a todas as pessoas. Precisamos avançar mais, precisamos amar mais! Até aqui, ajudei a arrumar a nossa casa, o Brasil. Mas sei que ainda há muito a ser feito. Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade. Estou comprometido com a melhoria da saúde pública, para que sua família fique bem cuidada; com o aumento real da renda, com poder de compra; e com a preservação da natureza criada por Deus. O Brasil é nosso! Eu vou escutar e atender aos anseios de vocês.

“Precisamos avançar mais!”

Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil. Com gratidão por sua atenção e generosa leitura, conto com suas orações e sigo olhando firmemente para a esperança da vitória e de um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos.”

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