Em evento do PL no Ceará, Michelle Bolsonaro vetou acordo entre o partido e Ciro Gomes — gerando reação imediata e dura de seus enteados: Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro
A tentativa de articulação entre o PL-CE e Ciro Gomes para as eleições de 2026 foi publicamente rechaçada por Michelle em Fortaleza. A declaração provocou uma crise interna, com os filhos do ex-presidente acusando-a de “desautorização” e “atropelo” — e levou a convocação de uma reunião emergencial da legenda nesta terça-feira (2).
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No último domingo (30/11), durante o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do Ceará, Michelle criticou diretamente a aproximação entre o diretório estadual do PL e Ciro Gomes (PSDB), recém-filiado ao partido. Em tom enfático, afirmou que a aliança era “precipitada” e incompatível com os valores defendidos pelo bolsonarismo.
O deputado estadual e presidente do PL no Ceará, André Fernandes, considerado o articulador do acordo, rebateu dizendo que a reaproximação teria sido construída “a pedido do próprio Jair Bolsonaro”.

Nas 24 horas seguintes, vieram as críticas públicas dos filhos de Bolsonaro. Flávio classificou a postura da madrasta como “autoritária e constrangedora”, acusando-a de “atropelar” uma negociação já aprovada.
Carlos manifestou apoio ao irmão e reforçou a necessidade de “respeitar a liderança” do pai, enquanto Eduardo afirmou que o deputado cearense “não poderia ser criticado por obedecer ao líder”.
A repercussão interna foi imediata: o PL convocou uma reunião de emergência — com dirigentes nacionais e os principais envolvidos — para tentar contornar o impasse, delimitar autoridade e controlar danos à imagem da sigla.
O episódio expôs fragilidades no controle partidário do PL, especialmente diante da ausência do ex-presidente, preso e condenado. A intervenção pública de Michelle revela que ela busca disputar protagonismo dentro da legenda, mas a reação dos filhos evidencia que esse movimento pode criar cisões irreversíveis.
Fontes ligadas a setores do partido acreditam que o racha não se limita ao Ceará — o embate pode se espalhar para disputa de candidaturas em outros estados, composições de chapas e controle do espólio eleitoral bolsonarista. A reunião de emergência marcada para hoje será decisiva: se prevalecerem os críticos a Michelle, a fragmentação interna pode dificultar a unidade do PL em 2026.




