Alegação de problema de saúde ocorre após crise com filhos do ex-presidente
A saída temporária de Michelle Bolsonaro da direção do PL Mulher foi anunciada nesta segunda-feira (8), ao mesmo tempo em que cresce a disputa interna do bolsonarismo pela candidatura presidencial de 2026. A nota divulgada pelo partido atribui o afastamento a questões de saúde relacionadas à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas o movimento ocorre após uma sequência de atritos entre a ex-primeira-dama e seus enteados, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro.
>> Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp
O comunicado diz que o “estado emocional” e a “imunidade afetada” de Michelle exigiriam sua retirada das atividades políticas. Porém, nos bastidores do partido, o quadro é tratado como um gesto de isolamento estratégico. A ex-primeira-dama vinha crescentemente questionada pelos filhos do ex-presidente depois de tentar barrar, publicamente, uma articulação eleitoral no Ceará, onde aliados do PL tentavam costurar um acordo com Ciro Gomes para fortalecer o partido local nas eleições de 2026.

Mesmo após se desculpar, Michelle conseguiu desmontar a aliança. A movimentação ampliou o desgaste entre ela e os herdeiros políticos do ex-presidente, que passaram a tratá-la como um obstáculo à estratégia eleitoral nacional do clã.
Disputa eleitoral e pressão interna
A crise se agravou quando Flávio Bolsonaro anunciou, na última sexta (5), que havia sido escolhido pelo pai para concorrer à Presidência. Michelle, tratada por setores evangélicos como o nome mais viável do bolsonarismo feminino, não teria sido informada previamente sobre a decisão. A escolha marca não apenas uma preferência familiar, mas também a tentativa de evitar que o PL divida sua própria base entre dois nomes competitivos e de difícil controle partidário.
Em uma tentativa de minimizar a tensão, o PL divulgou nota dizendo: “se Bolsonaro falou, está falado” — texto que reafirma a autoridade do ex-presidente como único decisor da legenda. Michelle compartilhou o comunicado desejando “sabedoria, força e graça” ao enteado. Nos bastidores, aliados relatam que o gesto foi interpretado como rendição forçada, não como apoio genuíno.
Mensagem bíblica – peste perniciosa
Logo antes de tornar público seu afastamento, Michelle publicou em suas redes sociais um salmo bíblico que afirma que Deus “livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa”. A expressão “peste perniciosa” foi lida entre aliados como metáfora para traições internas. A mensagem segue com referências a proteção divina e vitória contra ímpios — encerrada com “O Brasil é do Senhor Jesus”.
A escolha do texto bíblico funciona como código político para seu público evangélico, fortalecendo sua imagem de vítima perseguida. Ao mesmo tempo, marca posição contra adversários que orbitam o próprio gabinete de Bolsonaro.
Afastamento do PL Mulher
O afastamento de Michelle reduz a pressão pública sobre a disputa interna do PL enquanto Flávio testa sua viabilidade como candidato do bolsonarismo. A movimentação pode ainda abrir espaço para que o partido reorganize sua estrutura feminina sem interferência direta da ex-primeira-dama.
Fontes da legenda avaliam que o “afastamento por saúde” evita que a crise familiar avance para um racha aberto, preservando a imagem de unidade. Contudo, o gesto não elimina o potencial de candidatura de Michelle, que segue com forte apoio do eleitorado evangélico e ainda pode ser acionada como “plano B” caso Flávio não se firme nacionalmente.




