Português de 87 anos morreu na ilha espanhola de Lanzarote, onde residia
O escritor português José Saramago morreu nesta sexta-feira (18) na ilha espanhola de Lanzarote, onde residia. Com 87 anos, Saramago deixa um legado de opiniões fortes e uma vasta obra literária.
Prêmio Nobel de Literatura em 1998, primeiro escritor de língua portuguesa a obter a honraria, Saramago mostrou ao longo de sua vida uma paixão duradoura pela literatura.
Seus livros são marcados pelos períodos longos e pela pontuação em muitos momentos quase inexistente. Os artifícios formais são vistos como verdadeira barreira para vários leitores, mas outros se encantam com a fluidez de seus textos, sempre entremeados por reflexões fortemente humanistas.
Nascido em 16 de novembro de 1922, numa aldeia do Ribatejo chamada Azinhaga, de família humilde, Saramago só veio a produzir sua primeira obra de sua fase mais madura em 1980, ‘Levantado do Chão’. Dois anos depois, ‘Memorial do Convento’ o colocou como um dos maiores autores de Portugal, posição confirmada com o lançamento do inventivo ‘O ano da morte de Ricardo Reis’, em que narra os dias finais do heterônimo de um dos pilares da literatura de seu país: Fernando Pessoa, em uma criativa mescla de fatos reais e imaginados.
Saramago era um autor prolífico. Além de romances, publicou diários, contos, peças, crônicas e poemas. Ainda em 2009, lançou mais um livro, ‘Caim’.
Outro de seus romances, ‘Ensaio sobre a cegueira’, narra uma epidemia em que os personagens perdem a visão, enquanto uma mulher a mantém. A obra, uma das mais conhecidas do português, foi adaptada para o cinema pelas mãos do diretor brasileiro Fernando Meirelles. O filme foi exibido no Festival de Cannes.
Saramago não se furtava a emitir opiniões, seja em seus livros, seja em entrevistas. Em 2008, afirmou que era um ‘comunista hormonal’. Ao mesmo tempo, desferia duras críticas à esquerda, que ‘não pensa nem atua’, segundo declaração dele do mesmo ano.




