O empresário João Carlos Galassi, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas) disse nesta quarta-feira (29/02) em debate público na Câmara Municipal, que não há a menor possibilidade de o setor voltar a distribuir sacolinhas plásticas para o acondicionamento de produtos, nem mesmo aquelas biodegradáveis.
“Não há mais espaço para o descartável no setor, seja ele de plástico, papel ou compostável. E digo que não há mais espaço, porque essa não é mais a agenda do mundo. Nós estamos numa outra agenda: a agenda do sustentável”, disse ele na audiência promovida pela Comissão de Economia e Defesa dos Direitos do Consumidor para discutir o projeto de autoria do vereador Cidão Santos (PPS) que obriga os estabelecimentos comerciais a disponibilizarem embalagens biodegradáveis, ou de papel aos clientes.
Segundo o presidente da Apas, “é consenso no governo do Estado, no Ministério Público, em secretarias de Meio Ambiente, e em 125 municípios do Estado” nos quais já há programas em andamento, que o mais correto é a utilização de sacolas reutilizáveis. “Se Campinas não estiver nesse alinhamento, estará fora, na contramão”, afirmou.
O dirigente da Apas disse que a tendência é buscar novas alternativas. Lembrou, por exemplo, que no dia 15 de março, todos os supermercados da cidade vão oferecer uma sacola reutilizável de presente a cada cliente que levar cinco itens diferentes. “Mais para frente, vamos propor e participar de programas sociais para confecção e comercialização dessas sacolas”, disse.
Galassi disse que o projeto de Cidão Santos tem um problema que considera insolúvel. “O texto trata de entrega de sacolinhas nos supermercados, mas acabaria atingindo todos os setores da cadeia produtiva”, afirmou. “Além disso, está demonstrado que não haveria ganho ambiental na adoção das medidas propostas pelo projeto”, acrescentou.
A presidente do Sindivarejista, Sanae Murayama Sato, que participou da audiência, apelou por mudanças nos hábitos de consumos e fez um alerta às autoridades. “Precisamos pensar em políticas de resíduos sólidos”, disse ela.
O vereador Dário Saadi defendeu políticas amplas de sustentabilidade. “Apoiamos o conceito pelo qual os supermercados possam abolir o uso de sacolinhas plásticas, mas esse deve ser apenas o primeiro passo. É preciso que todo o setor produtivo adote outras ações na direção da sustentabilidade”, afirmou.




