Pastor da Lagoinha do RS deixa igreja após críticas à gestão e denuncia salários de R$ 1 milhão na direção

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O pastor Luiz Fernando de Souza anunciou durante um culto sua saída da Igreja Batista da Lagoinha, em São Leopoldo (RS), após criticar a condução da igreja e denunciar o que classificou como distorções financeiras e administrativas. A decisão ocorre em meio a tensões internas e recentes controvérsias envolvendo lideranças da denominação.
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Em sua fala, o pastor questionou a orientação dada por líderes da chamada “Lagoinha Global”, que, segundo ele, exigiria que pastores buscassem outras fontes de renda para sustentar suas famílias, ao mesmo tempo em que manteriam contribuições financeiras obrigatórias à instituição. “Não faz sentido […] enquanto, até pouco tempo, um pastor conhecido recebia cerca de R$ 1 milhão de salário por mês”, afirmou.
Ele também criticou a política de repasses financeiros, que prevê o envio de 10% à estrutura global e 5% à regional. Segundo Souza, pastores que não conseguem cumprir essas metas podem ser advertidos ou até excluídos. “O que não cabe é um pastor local ter que escolher cumprir as exigências ou comprar comida, remédio para sua família ou famílias da igreja”, declarou.
Crise interna e conexões externas
Ao justificar sua saída, o religioso afirmou que a permanência na instituição comprometeria suas convicções. “Não posso prostituir minhas convicções pessoais […] por uma marca, por um status”, disse. Ele também relatou que buscou orientação interna antes de tomar a decisão e concluiu que era necessário “mudar o rumo”.
Sem citar nomes diretamente, as declarações ocorrem após o escândalo envolvendo o pastor Fabiano Zettel, ligado à unidade da Lagoinha em Belo Horizonte. Zettel foi preso em operação da Polícia Federal do Brasil ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele é apontado como operador de um esquema investigado por autoridades federais.
Segundo dados eleitorais, Zettel também aparece como um dos maiores doadores individuais nas eleições de 2022, com repasses para campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
O caso amplia o debate sobre governança, transparência financeira e influência política em instituições religiosas, especialmente diante do crescimento de estruturas nacionais e internacionais com forte presença econômica e midiática.




