PF investiga transações ligadas a Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro e Alexandre Ramagem

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De acordo com os elementos atribuídos à PF, Flávio tinha acesso operacional relevante, na condição de usuário master, a uma conta bancária de titularidade da offshore Alcazar Holding, da qual Tomaz é sócio. Foto Divulgação

Inquérito apura movimentações financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz, licitação da Loterj e pagamentos de R$ 270 mil relacionados a serviços prestados a Ramagem; os citados apresentam versões sobre as relações e operações investigadas

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A Polícia Federal (PF) investiga possíveis irregularidades em transações financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz e pessoas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. O inquérito também examina possíveis conexões com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

A investigação tem como foco movimentações atribuídas a Tomaz e possíveis relações com operações do setor de apostas. Após o nome de Flávio Bolsonaro aparecer na apuração, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator, conforme as informações divulgadas sobre o inquérito.

Tomaz também é investigado em uma apuração relacionada a suspeitas de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele é apontado como proprietário da Rede Loto, empresa que obteve autorização para operar no setor de apostas no Rio de Janeiro em maio de 2023.

Licitação da Loterj sob investigação

Um dos pontos examinados pela PF é uma licitação realizada em 2022 pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), durante a gestão de Cláudio Castro. O procedimento foi vencido pela Pixs Cobrança, atualmente denominada RioPag, empresa que os investigadores associam a Willer Tomaz.

Segundo os elementos mencionados no pedido de abertura da investigação, arquivos atribuídos ao advogado contêm mensagens e registros de viagens que indicariam proximidade pessoal entre ele e Castro. Os investigadores também examinam a relação entre Tomaz e Hazenclever Lopes, que presidiu a Loterj após ser nomeado pelo então governador.

A PF aponta que Hazenclever já mantinha vínculos profissionais e proximidade com o advogado antes de assumir o comando da autarquia. A investigação procura esclarecer as relações entre os envolvidos e eventuais reflexos na contratação.

Na licitação, a Pixs ofereceu repassar à Loterj 20% de sua remuneração, enquanto a única concorrente apresentou proposta de 26%. A concorrente foi desclassificada por apresentar o percentual com duas casas decimais, em vez das três exigidas pelo edital, segundo o relato da investigação.

Após a desclassificação, a Pixs negociou diretamente com a autarquia e elevou sua oferta para 26,455%, de acordo com as informações divulgadas. A PF apura as circunstâncias do procedimento e a possível existência de irregularidades. A descrição dessas etapas, por si só, não comprova fraude ou interferência ilegal na licitação.

Viagens e relação com Flávio Bolsonaro

A investigação também examina despesas com viagens internacionais realizadas por Flávio Bolsonaro em 2025. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, uma empresa ligada a Willer Tomaz atuou como intermediária na compra de passagens aéreas utilizadas pelo senador. A apuração busca esclarecer se a estrutura empresarial foi utilizada para custear viagens de caráter pessoal envolvendo integrantes das duas famílias.

De acordo com os elementos atribuídos à PF, Flávio tinha acesso operacional relevante, na condição de usuário master, a uma conta bancária de titularidade da offshore Alcazar Holding, da qual Tomaz é sócio. Em maio de 2025, teria sido solicitada a retirada do acesso do parlamentar.

Os registros examinados pelos investigadores também incluem referências a festas, encontros e reuniões entre Flávio e o advogado. A PF procura esclarecer a natureza das transações financeiras e se houve alguma irregularidade nas operações.

Em manifestação anterior, a defesa de Flávio afirmou que a relação entre o senador e Tomaz é exclusivamente de amizade. Até a publicação do relato original, a campanha do candidato não havia respondido aos questionamentos específicos sobre o novo inquérito.

Pagamento de R$ 270 mil ligado a Ramagem

Outro ponto da apuração envolve três pagamentos de R$ 90 mil, que totalizam R$ 270 mil. Segundo a PF, embora as transferências tenham sido formalmente destinadas à empresa Torre Comunicação Estratégica, o beneficiário final investigado seria Alexandre Ramagem, que dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

A Torre afirmou que prestou serviços de assessoria de imprensa ao escritório de Willer Tomaz e Eugênio de Aragão. Segundo a empresa, o escritório solicitou planejamento estratégico, monitoramento e treinamento de mídia para Ramagem, então pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, durante três meses.

A empresa declarou que os R$ 270 mil correspondem aos serviços prestados, divididos em três pagamentos, e que houve emissão regular de nota fiscal.

A defesa de Ramagem e Hazenclever Lopes foi procurada pela reportagem original, mas não havia respondido até o fechamento do texto. A apuração sobre os pagamentos busca esclarecer a natureza dos serviços e o destino dos recursos.

Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos e um mês de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado, segundo as informações citadas na reportagem original. O caso relacionado aos pagamentos integra uma investigação distinta, e a existência de transferências não demonstra, isoladamente, que os recursos tenham origem ilícita.

Defesa de Willer Tomaz

Em nota, Willer Tomaz afirmou que não teve acesso ao inquérito e que soube da investigação por meio da imprensa. Disse que sua defesa já havia solicitado acesso aos autos e que prestaria esclarecimentos às autoridades.

O advogado declarou que sua relação com Flávio Bolsonaro é de amizade entre as famílias e sustentou que todas as suas empresas e participações estão identificadas em registros públicos e declaradas à Receita Federal. Negou a existência de sócios ocultos, contas não declaradas ou patrimônio escondido.

Tomaz também contestou a divulgação de informações sigilosas durante o período eleitoral e afirmou confiar que o acesso aos autos e o exercício do contraditório demonstrarão a regularidade das operações.

Sobre a licitação da Loterj, declarou que, conforme as informações tornadas públicas, a própria PF não teria identificado ordem ou intervenção direta na desclassificação da concorrente. Segundo sua versão, a exclusão decorreu do descumprimento de exigências formais do edital.

Cláudio Castro nega participação na licitação

A assessoria de Cláudio Castro confirmou que o ex-governador conhece Willer Tomaz desde 2020 e que ambos mantêm uma relação de amizade. Informou que o advogado atuou em processos de defesa de Castro sem cobrar honorários, em razão da relação pessoal entre eles.

A nota também confirmou a realização de viagens conjuntas e afirmou que cada um arcava com as despesas próprias e de seus familiares.

Castro declarou que desconhecia eventual vínculo de Tomaz com a Pixs/RioPag na época da contratação pela Loterj. Também afirmou que não sabia da relação profissional ou pessoal entre o advogado e Hazenclever Lopes, nem de eventual custeio de viagens do então presidente da autarquia.

Segundo a assessoria, Hazenclever foi indicado pelo PL para a presidência da Loterj, mas a autarquia tinha gestão própria. Castro negou ter participado da licitação, da contratação da empresa ou de tratativas envolvendo Tomaz e a Pixs/RioPag.

Investigação ainda depende de esclarecimentos

O inquérito reúne diferentes frentes: a licitação da Loterj, as movimentações financeiras atribuídas a empresas ligadas a Willer Tomaz, as despesas com viagens de Flávio Bolsonaro e os pagamentos associados a serviços prestados a Alexandre Ramagem.

A PF busca esclarecer as relações entre os envolvidos, a origem e o destino dos recursos e a eventual existência de irregularidades. As manifestações das defesas e das empresas citadas integram o contexto da apuração, mas não substituem a análise dos documentos e das conclusões das autoridades.

Até que haja conclusões formais sobre as condutas investigadas, é necessário distinguir os fatos documentados, as hipóteses levantadas pela PF e as versões apresentadas pelos citados. A abertura de uma investigação não equivale a uma condenação.

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