Investigação apura contratos suspeitos, compras não entregues e sobrepreço em licitações municipais
Por Sandra Venancio – Jornal Local
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (27) uma operação para desarticular um esquema criminoso de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações na área da saúde no Rio Grande do Norte. Entre os alvos está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), que teve mandado de busca e apreensão cumprido, mas nega qualquer irregularidade.
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Ao todo, foram expedidos 35 mandados de busca e apreensão em diferentes municípios potiguares, incluindo Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. A investigação aponta indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no estado que mantinham contratos com administrações municipais de várias regiões do país.

Auditorias identificaram falhas graves na execução contratual, com registros de compras de materiais que não teriam sido entregues, fornecimento de produtos em quantidade ou qualidade inferior à contratada e indícios de sobrepreço. Parte dos recursos públicos teria sido desviada a partir dessas operações. Durante a ação, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie na residência de um dos sócios de empresa investigada, cujo valor não foi divulgado.

Os investigados poderão responder por crimes ligados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas. A apuração ainda está em fase inicial e novas diligências não estão descartadas.
Em nota, a defesa do prefeito Allyson Bezerra afirmou que não há qualquer elemento que o vincule pessoalmente aos fatos investigados. Segundo os advogados, a medida judicial se baseia em diálogos envolvendo terceiros, sem imputação direta ao chefe do Executivo municipal. A defesa destacou ainda que o prefeito não foi afastado do cargo nem sofreu medidas restritivas e que colaborou com as autoridades durante o cumprimento do mandado.
O comunicado também ressalta que, em dezembro de 2023, a prefeitura editou decreto tornando obrigatório o uso de um sistema nacional de controle de estoque e dispensação de medicamentos, atribuindo à Controladoria Geral do Município a fiscalização direta do processo. A defesa sustenta que a investigação demonstrará a regularidade da conduta do prefeito.




