Quero advertir os leitores que não pretendo definir, ou redefinir, o que seja poder. Ultrapassa em muito o escopo deste modesto editorial realizar algo que grandes pensadores tentaram fazer ao longo dos últimos dois mil e quatrocentos anos com muito mais maestria e lucidez que o autor destas linhas.
Pretendo, tão-somente, partilhar com os leitores algumas reflexões pessoais acerca do poder político, reflexões estas vivenciadas ao longo da minha carreira de jornalista.
Poder é, literalmente, o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força.
A sociologia define poder, como a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira. Existem, dentro do contexto sociológico, diversos tipos de poder: o poder social, o poder econômico, o poder político, entre outros.
A política define o poder como a capacidade de impor algo sem alternativa para a desobediência.
Segundo Max Weber “Obedece-se à pessoa por força da sua dignidade própria, santificada pela tradição: por piedade. Criar um novo direito em face das normas tradicionais surge, em princípio, como impossível. Na realidade, tem ele lugar mediante o “conhecimento” de uma proposição como ‘valendo desde sempre’. Pelo contrário, fora das normas de tradição, a vontade do senhor está vinculada apenas por limites que o sentimento de equidade traça no caso singular, portanto, de modo extremamente elástico: o seu poder divide-se, pois, numa região estritamente cimentada pela tradição e noutra da livre graça e arbítrio, em que ele governa segundo o agrado, a afeição, a aversão, e sobretudo também mediante favores pessoais a pontos de vista influentes. Mas na medida em que à administração e à arbitragem de conflitos estão subjacentes princípios, são eles os da sensatez ética material, da justiça ou da praticabilidade utilitarista, não os de natureza formal, como no poder legal. De igual modo procede o seu corpo administrativo”.
“Se você quiser testar o caráter de um homem, dê-lhe poder”. Abraham Lincoln




