Fiscalização no Jardim Guanabara encontra substâncias injetáveis, Botox estragado e exercício ilegal da medicina comandado por farmacêutica
Uma operação conjunta entre a 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Polícia Civil e a Vigilância Sanitária desmantelou, nesta quinta-feira, um esquema de manipulação e venda irregular de substâncias estéticas em uma clínica no Jardim Guanabara, bairro nobre de Campinas. A ação revelou um cenário de alto risco à saúde pública: 19 frascos de substâncias injetáveis para emagrecimento eram comercializados sem qualquer controle, além de suplementos vencidos e ampolas de Botox armazenadas fora da temperatura adequada, o que anula a eficácia e pode causar graves reações alérgicas.

A investigação teve início após denúncias anônimas e inconsistências no pedido de licença de funcionamento do estabelecimento. Ao chegarem no local, os agentes descobriram que a clínica operava de forma híbrida e ilegal, acumulando as funções de centro de estética e farmácia de atacado e varejo. A responsável pelo local, uma farmacêutica, foi presa em flagrante e encaminhada para a cadeia de Paulínia após a constatação de que ela realizava o acompanhamento clínico de pacientes para perda de peso — atividade restrita por lei exclusivamente a profissionais médicos.
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Os peritos da Vigilância Sanitária apreenderam rótulos que comprovam o fracionamento e o envase clandestino das substâncias. Na prática, a clínica funcionava como um laboratório de fundo de quintal, onde fórmulas eram montadas sem os padrões de esterilização e segurança exigidos pela Anvisa. Prontuários médicos encontrados na recepção detalhavam a rotina de aplicações e vendas, expondo uma rede de clientes que buscavam resultados rápidos através de “injeções emagrecedoras” manipuladas sem prescrição.
O caso foi registrado como crime contra a saúde pública e infração às relações de consumo. Investigadores agora analisam os documentos recolhidos para identificar os fornecedores das matérias-primas e se outras clínicas em Campinas recebiam os produtos envasados ilegalmente pela farmacêutica. O rastro do dinheiro aponta para um lucro alto com a venda de substâncias “off-label” (fora da indicação da bula), mercado que cresce em áreas valorizadas da cidade devido à pressão estética e à baixa fiscalização em estabelecimentos que se vendem como clínicas de luxo.




