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Saúde divulga informe técnico sobre a leptospirose

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A rede pública e privada de saúde de Campinas começa a receber nesta quarta-feira, 4 de janeiro, o informe epidemiológico de leptospirose preparado pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas. A iniciativa da Covisa objetiva a detecção precoce da doença e a redução da mortalidade.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que a leptospirose se mostra com nítida sazonalidade, sendo que os elevados índices pluviométricos do verão, com enchentes e inundações, coloca moradores de diversas localidades a um risco maior de infecção.

A preocupação dos técnicos de saúde procede na medida em que os registros do Sistema de Informações dos Agravos de Notificação (Sinan) apontam que 42% dos casos de leptospirose em 2011 ficaram concentrados em janeiro. Em 2011 foram notificados 434 casos suspeitos da doença em pacientes residentes em Campinas. Destes, confirmaram-se 41 e sete evoluíram para óbito.

Andrea Von Zuben, médica veterinária da Covisa, explica que o alerta epidemiológico é importante para que a leptospirose seja detectada precocemente e para que, dessa forma, a doença não evolua com gravidade. “Por tratar-se de uma doença com sintomas inespecíficos no seu início, é importante que as unidades de saúde fiquem atentas. Quanto mais precoce a introdução do antibiótico menor o risco de agravamento do quadro”, adverte a médica veterinária. Ela lembra que a leptospirose é doença de notificação compulsória e, portanto, todo caso suspeito deve ser imediatamente notificado pelos profissionais da saúde, das redes pública e privada.

Enquanto isso, nas unidades de urgência do município tem início esta semana o Programa de Capacitação das equipes de classificação de risco e manejo clínico. O treinamento será realizado pela enfermeira Marilene Wagner e pelo médico Sérgio dias, ambos da Comissão de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde.

Participaram da elaboração do Informe técnico para a Rede de Saúde Rodrigo Angerami, médico infectologista da Covisa; André Ricardo Freitas , médico sanitarista da Covisa; Andrea Von Zuben, médica veterinária da Coordenadoria de Vigilância em Saúde; Daise Becare, técnica da Covisa; e Brigina Kemp, coordenadora da Covisa.

Como se transmite?

Em situações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, presente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama das enchentes. Qualquer pessoa que tiver contato com a água das chuvas ou lama contaminadas poderá se infectar. A leptospira, bactéria presente na urina dos ratos, mistura-se com a água e penetra no corpo humano pela pele, principalmente se houver algum arranhão ou ferimento.

O contato com água ou lama de esgoto, lagoas ou rios contaminados e terrenos baldios com a presença de ratos também podem facilitar a transmissão da leptospirose. Veterinários e tratadores de animais podem adquirir a doença pelo contato com a urina de animais doentes ou convalescentes.

Como tratar?

O tratamento é baseado no uso de medicamentos e outras medidas de suporte, orientado sempre por um médico, de acordo com os sintomas apresentados. Os casos leves podem ser tratados em ambulatório, mas os casos graves precisam ser internados. A automedicação não é indicada, pois pode agravar a doença.

Como se prevenir?

Para o controle da leptospirose, são necessárias medidas ligadas ao meio ambiente, tais como obras de saneamento básico (abastecimento de água, lixo e esgoto), melhorias nas habitações humanas e o combate aos ratos. Deve-se evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas ou outros ambientes que possam estar contaminados pela urina dos ratos.

Pessoas que trabalham na limpeza de lamas, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha – se isto não for possível, usar sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés. Aqueles que tiverem suas residências atingidas por enchentes podem procurar a Defesa Civil ou a Unidade Básica de Saúde mais próxima para obter informações sobre a limpeza e a desinfecção.

Entre as principais medidas de combate aos ratos, deve-se destacar o acondicionamento e destino adequado do lixo e o armazenamento apropriado de alimentos. A desinfecção de caixas d´água e sua completa vedação são medidas preventivas que devem ser tomadas periodicamente.

Sintomas

A pessoa que apresentar febre, dor de cabeça e dores no corpo alguns dias depois de ter entrado em contato com as águas de enchente ou esgoto deve procurar imediatamente o Centro de Saúde mais próximo. Os principais são febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas – batata-da-perna -, podendo também ocorrer vômitos, diarréia e tosse.

Nas formas mais graves geralmente aparece icterícia – coloração amarelada da pele e dos olhos – e há a necessidade de cuidados especiais em caráter de internação hospitalar. O doente pode apresentar também hemorragias, meningite, insuficiência renal, hepática e respiratória que podem levar à morte. A leptospirose é uma doença curável, para a qual o diagnóstico e o tratamento precoces são a melhor solução.

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