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quinta-feira, março 5, 2026
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Sexualidade em Discussão: O Sagrado e o Profano

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Por Monica Guberman

Em tempos onde a satisfação de desejos sexuais pode ser obtida na compra de filmes eróticos na TV por assinatura ou em sites “à distância de um clique no mouse”, é inevitável o nosso questionamento à respeito dos rumos que a sexualidade e as práticas sexuais tomaram em pleno século XXI. Enquanto que em muitas sociedades de alguns milênios atrás sexo e espiritualidade conviviam como cara e coroa de uma mesma moeda, nos dias de hoje essas duas vivências são tratadas como se fossem realidades humanas muito distintas entre si. Em tempos ancestrais as práticas sexuais possuíam um caráter de cunho bastante espiritual, onde o êxtase físico seria uma forma de se alcançar a comunhão com o Divino. Nesse sentido sexo e espiritualidade eram parceiros inseparáveis, sendo o ato sexual considerado como algo sagrado e como parte integrante da manifestação da Vida em seu sentido mais amplo. Nas culturas não-patriarcais da Antiguidade durante os rituais do hierogamos (o casamento sagrado entre o feminino e o masculino), sacerdotes e sacerdotisas usavam o ato sexual como uma forma de reverenciar a Grande Deusa manifesta em suas mais diversificadas formas, entre elas Afrodite, a Deusa do Amor, atraindo assim suas benesses e favores. O encontro com a Grande Deusa através da união sexual, permitiria uma vivência de caráter mágico e sublime, derramando suas energias e vitalidade para o dia-a-dia daqueles indivíduos. Outro aspecto bastante interessante e que dificilmente seria compreendido pela nossa sociedade contemporânea, era o papel exercido pelas prostitutas sagradas na Antiguidade e em várias civilizações do Oriente Médio. As prostitutas sagradas eram sacerdotisas que representam ou encarnavam por assim dizer determinada deusa, possuindo por esse motivo uma função socialmente bastante respeitada e valorizada. O encontro com determinada deusa se daria através da união sexual com suas sacerdotisas, demonstrando assim o quanto sexo e espiritualidade eram vivências inseparáveis e parte de um todo maior. Segundo Nancy Qualls-Corbett, autora do livro “A prostituta sagrada”, era essa mulher que permitia através de seu sagrado ofício, transformar instintos mais rudes e toscos na arte de um amor de ordem físico-espiritual, onde o desejo e a resposta sexual eram experienciados como dádivas divinas. A sexualidade era tratada como um ato honroso e respeitoso, que agradava tanto ao aspecto divino quanto ao aspecto mortal de nossa existência. No entanto quando historicamente as religiões de culto às Deusas foram obrigadas a ceder lugar aos cultos aos Deuses Patriarcais, a sexualidade em seu aspecto mais sagrado deixa de ser experimentada enquanto portal de comunhão com o Divino, ficando para as mulheres algo relegado meramente ao plano da procriação, e para os homens vinculado à possibilidade de uma satisfação simplesmente física. Sexo e espiritualidade passaram desde então a serem vivenciados como coisas separadas, originando algumas das distorções e desequilíbrios de comportamento que podemos presenciar nos dias de hoje. A pornografia, a prostituição, o aliciamento de menores e algumas outras práticas tão freqüentes expressam o grau de separação existente entre sexo e espiritualidade. É importante pensar que as energias sexuais e espirituais são aspectos fundamentais para nossa vida na terra e que somente quando ambas andam de mãos dadas podem os indivíduos encontrar a verdadeira plenitude em si mesmos.

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