Corpo de menino de 9 anos é localizado e Defesa Civil mantém áreas interditadas

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou neste domingo (1º) o encerramento das buscas por vítimas das chuvas em Juiz de Fora após a localização do corpo do menino Pietro, de 9 anos, no bairro Paineiras, na noite de sábado (28). O número de mortos chegou a 72, sendo 65 na cidade e sete em Ubá. Uma pessoa segue desaparecida em Ubá, onde as equipes continuam as operações.
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Segundo a corporação, todos os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal. A tragédia foi provocada por deslizamentos de terra após dias de chuva intensa, principalmente na região do Morro do Cristo, área considerada de risco geológico.




No bairro Paineiras, tradicional reduto de classe média com casarões antigos e prédios residenciais, moradores permanecem fora de casa desde a noite de segunda-feira (23), quando a encosta cedeu e atingiu imóveis. A Defesa Civil determinou a retirada preventiva das famílias devido à instabilidade do terreno e à possibilidade de novos desmoronamentos.
O engenheiro civil Guilherme Belini Golver, que mora com os pais em um dos imóveis atingidos, contou que deixou a residência por volta das 22h10 para buscar a filha na faculdade. Pouco depois, recebeu a notícia de que a terra havia invadido a garagem e o interior da casa. Desde então, a família só retorna ao local para tentar retirar lama e vigiar o imóvel, que ficou vulnerável após o impacto.
Ele lembra que, há cerca de quatro décadas, houve pequenos deslizamentos na encosta, o que levou à instalação de contenções. Mesmo assim, admite o receio diante da dimensão inédita do episódio atual.
Na mesma rua, um policial penal morreu soterrado. A poucos metros dali, três prédios residenciais alugados por uma mesma família também foram atingidos. O motoboy Paulo Barbosa Siqueira, de 25 anos, morador de um dos apartamentos, relatou que estava fora no momento do desabamento e que, ao retornar, encontrou parte da estrutura comprometida. Segundo ele, moradores improvisaram uma rota de fuga entre apartamentos para retirar vizinhos antes que a situação se agravasse.
Desde a tragédia, os moradores aguardam autorização para entrar nos prédios e retirar documentos e pertences. O acesso permanece interditado por risco estrutural. Parte das famílias está abrigada em casas de parentes e amigos, enfrentando dificuldades básicas. Há ainda denúncias de saques durante a madrugada nos imóveis isolados.
Os deslizamentos no Paineiras ocorreram em dois pontos distintos de ruas próximas. Em uma delas, os danos estruturais deixaram uma vítima fatal. Na rua seguinte, as equipes concentraram esforços na busca por desaparecidos, incluindo o menino Pietro, cuja localização marcou o encerramento das buscas em Juiz de Fora.
Em Ubá, onde sete mortes foram confirmadas, as operações continuam para localizar a pessoa ainda desaparecida. As autoridades mantêm monitoramento das áreas de encosta e não descartam novas interdições preventivas caso o solo volte a apresentar sinais de instabilidade.




