29.9 C
Campinas
segunda-feira, março 16, 2026
spot_img

Vídeos inéditos viram estopim para abertura da Comissão Processante contra o vereador Otto Alejandro

Data:

Sessão que poderia enterrar a investigação virou, em 48 horas, um movimento de ruptura total. Sequência de imagens com ameaças, homofobia e abuso de autoridade destruiu qualquer base de apoio ao vereador do PL

O que começou como uma disputa apertada na Câmara de Campinas se transformou, em dois dias, em um isolamento político completo. A abertura da Comissão Processante contra o vereador Otto Alejandro (PL) — inicialmente vista como improvável — terminou aprovada por unanimidade nesta quarta-feira, após a divulgação de novos vídeos que ampliaram o escândalo para muito além da denúncia de suposta violência doméstica.

>> Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

Até segunda-feira, o cenário era outro. Nos bastidores, vereadores admitiam resistência em votar a favor da investigação, temendo desgaste e pressão dos aliados de Otto. Uma manobra regimentar salvou o rito: o adiamento da votação evitou que a denúncia fosse rejeitada ainda na primeira tentativa, quando o vereador ainda mantinha alguma margem de proteção política.

A Comissão deverá avaliar não apenas a denúncia de violência doméstica, mas o conjunto de condutas que emergiu nos vídeos. Foto Camara de Campinas

Mas a pausa de 48 horas abriu a porta para um terremoto. A partir da noite de segunda, uma erosão acelerada da imagem de Otto tomou forma — e tomou as redes, os corredores do Legislativo e a imprensa local.

A avalanche de vídeos

Três registros foram decisivos para virar o jogo:

  1. O vídeo da portaria, em que Otto humilha uma trabalhadora, usa expressões homofóbicas e demonstra comportamento agressivo.
  2. A gravação com Guardas Municipais, em que o vereador ameaça servidores públicos e sugere ter influência “nos de cima” do Executivo.
  3. O episódio da Glicério, já conhecido, mas agora reforçado no contexto de comportamento reiterado.

De repente, a denúncia original deixou de ser o centro do problema. O que estava em discussão já não era apenas uma acusação específica: era um padrão.

Com o material circulando em massa, partidos da própria base anunciaram voto favorável à Comissão Processante — algo impensável dias antes. O plenário lotou, desta vez sem apoiadores do vereador. Otto não compareceu à votação.

Quando o painel marcou 30 vereadores presentes, o resultado já estava selado: a abertura seria unânime. Ela veio por 29 votos a 0, com três ausências.

Constrangimento no sorteio da CP

Mesmo diante da gravidade do caso, a Câmara protagonizou um momento desconcertante. Sorteada como única mulher entre os três nomes para compor a Comissão Processante, a vereadora Fernanda Souto (PSOL) ficou de fora na escolha inicial — uma decisão tomada por Eduardo Magoga (Podemos) e Guilherme Teixeira (PL), que se colocaram, respectivamente, como presidente e relator.

A escolha era politicamente indefensável: um caso envolvendo violência doméstica conduzido apenas por homens. A repercussão negativa no plenário foi imediata. Sob pressão, a composição foi refeita: Fernanda assumiu a presidência, Magoga ficou com a relatoria e Teixeira permaneceu como membro.

A estratégia de Otto: narrativa de perseguição

Nas redes sociais, Otto tenta virar o jogo antes mesmo do início dos trabalhos. Publicou artes defendendo sua inocência e repetiu que a abertura da CP seria “ótima” para provar que está sendo vítima de perseguição. O discurso tenta deslocar o foco das imagens e reposicionar o caso como conspiração política. Mas o problema é que os vídeos, agora, contam outra história.

Padrão de conduta ou campanha difamatória?

1. A força probatória dos vídeos

O conjunto de imagens divulgadas cria uma linha narrativa contínua: abuso verbal, intimidação, agressividade e tentativa de usar o cargo para constranger terceiros. A defesa política fica fragilizada quando o próprio investigado aparece, repetidamente, sustentando condutas questionáveis.

2. “Perseguição política”: tese com pouca tração

Para emplacar essa narrativa, Otto precisaria desmontar a credibilidade dos vídeos, das testemunhas e dos registros já formalizados. Nada disso foi feito até aqui. A ideia de perseguição pode mobilizar sua base mais fiel, mas encontra pouca aderência no plenário — que votou de forma unânime pela investigação.

3. Câmara muda de comportamento como resposta ao risco reputacional

A votação de 29 a 0 revela que o Legislativo não estava disposto a carregar o peso de defender um vereador cercado por múltiplos registros de conduta abusiva. A mudança repentina não veio de articulação, mas de autopreservação institucional.

4. Otto entra na CP com dano irreversível

Mesmo que consiga se defender tecnicamente, o desgaste público já é profundo. A Comissão deverá avaliar não apenas a denúncia de violência doméstica, mas o conjunto de condutas que emergiu nos vídeos. Isso amplia, e muito, o risco de cassação.

A abertura da CP não foi um movimento político, mas uma reação em cadeia a fatos que vieram à tona no pior momento possível para Otto Alejandro. Em 48 horas, o vereador perdeu todas as bases de sustentação, viu sua imagem implodir em praça pública e agora enfrenta um processo que, pela força dos registros e pela unanimidade da votação, já começa com prognóstico difícil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

MP tenta barrar criação de 105 cargos comissionados na Câmara de Campinas

Promotoria afirma que nova lei pode violar sentença que...

Mulher acusada de torturar enteados por seis anos é presa pelo Baep em Campinas

Investigação aponta agressões físicas e psicológicas contra três crianças,...

Mais de 100 haitianos ficam retidos em Viracopos após PF identificar vistos humanitários falsos

Grupo chegou em voo fretado a Campinas e permanece...

Hospital da PUC-Campinas chega a 365% de ocupação e tem 49 pacientes em macas nos corredores

Superlotação pressiona equipes médicas e hospital pede redirecionamento de...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade