Empresário dividiu aeronave com senador, deputados e ex-ministros em meio a articulações para salvar instituição

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O empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, compartilhou um voo executivo com o senador Ciro Nogueira, os deputados Isnaldo Bulhões e Rodrigo Gambale, além dos ex-ministros Fábio Faria e Bruno Bianco, em 28 de agosto de 2025, no auge da crise que antecedeu a liquidação da instituição financeira. A viagem, entre Brasília e São Paulo, foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada por registros de voo e acessos ao terminal executivo.
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Segundo a apuração, o grupo embarcou em um jato Embraer Phenom 300 por volta das 15h36, no terminal de aviação executiva do Aeroporto de Brasília, com pouso na capital paulista às 16h57. Passageiros ouvidos sob reserva afirmaram que pegaram “carona” e negaram relação direta com o empresário. Ainda assim, o episódio evidencia a circulação de Vorcaro entre figuras centrais do Congresso e do governo anterior em um momento crítico para o banco.
Articulação política sob investigação
O voo ocorreu enquanto o Banco Master buscava apoio político e regulatório em Brasília para enfrentar dificuldades financeiras. A proximidade entre Vorcaro e lideranças políticas já havia sido mencionada em outras apurações, incluindo relatos de interlocução direta com parlamentares influentes. Em registros analisados por investigadores, o empresário teria acompanhado de perto propostas legislativas que poderiam beneficiar o setor financeiro.
Um dos pontos sob análise envolve a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira à PEC 65/2023, que propunha elevar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A medida, se aprovada, ampliaria a proteção a investidores e poderia favorecer instituições com perfil semelhante ao Banco Master.
Queda do banco e foco das apurações
Apesar das articulações políticas, a crise da instituição avançou. Meses após o voo, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando suas operações.
Com o colapso, o foco das investigações passou a incluir a atuação de Vorcaro junto ao Congresso e possíveis conexões com decisões políticas e regulatórias durante o período crítico. Documentos vinculados à CPI do INSS e registros oficiais do Senado apontam troca de mensagens e acompanhamento de propostas de interesse direto do banco.
Até o momento, os citados não apresentaram manifestação pública detalhada sobre o episódio. O espaço permanece aberto para posicionamentos.




