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terça-feira, janeiro 27, 2026
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Presidente da Câmara, Hugo Motta, é acusado de manter funcionárias fantasmas em seu gabinete

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Reportagens revelam que fisioterapeuta, estudante de medicina e assistente social recebem salários como secretárias parlamentares, mas acumulam funções externas e não cumprem jornada obrigatória

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi acusado nesta terça-feira (15) de empregar ao menos três funcionárias fantasmas em seu gabinete, em Brasília. As irregularidades foram reveladas por reportagens do portal Metrópoles e do jornal Folha de S.Paulo, que acompanharam a rotina das servidoras, acessaram documentos oficiais e cruzaram informações com bancos de dados de instituições públicas.

Lotadas como secretárias parlamentares, as funcionárias — uma fisioterapeuta, uma estudante de medicina e uma assistente social vinculada à prefeitura de João Pessoa (PB) — ocupam cargos que exigem dedicação exclusiva de 40 horas semanais, conforme as normas internas da Câmara, e que proíbem o acúmulo de funções em outras esferas públicas.

De acordo com as investigações jornalísticas, as três servidoras não comparecem regularmente a Brasília nem exercem funções relacionadas à atividade parlamentar. A fisioterapeuta mantém consultório próprio na Paraíba; a estudante de medicina segue cursando a faculdade em tempo integral; e a assistente social cumpre carga horária na Secretaria de Saúde de João Pessoa.

https://twitter.com/pesquisas_elige/status/1945176525998903335

Procurado pela imprensa, o gabinete de Hugo Motta não se manifestou até o fechamento desta edição. Já a Câmara dos Deputados, por meio de sua assessoria, informou que eventuais denúncias de funcionários fantasmas devem ser investigadas pela Corregedoria da Casa, podendo resultar em exoneração dos envolvidos, devolução de recursos aos cofres públicos e responsabilização administrativa.

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Hugo Motta, de 34 anos, é deputado federal desde 2011 e atualmente preside interinamente a Câmara dos Deputados enquanto Arthur Lira (PP-AL) se licencia para cumprir agendas políticas no exterior. Filiado ao Republicanos, Motta é apontado como uma das principais lideranças do centrão e mantém forte influência sobre indicações de cargos federais na Paraíba.

A denúncia de manutenção de servidoras fantasmas reacende o debate sobre o uso irregular da estrutura do Congresso para beneficiar aliados e apadrinhados políticos. Segundo especialistas em administração pública, a prática de nomear funcionários sem vínculo real de trabalho configura improbidade administrativa e pode resultar em processos judiciais por peculato, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito.

A oposição já articula uma cobrança formal para que o caso seja apurado pelo Conselho de Ética da Câmara. Lideranças de partidos como PSOL e Rede afirmaram que devem protocolar um pedido de investigação ainda nesta semana.

Enquanto isso, cresce a pressão por respostas e por medidas que coíbam práticas que, historicamente, mancham a imagem do Legislativo e fragilizam a confiança da população nas instituições democrática.

Casos envolvendo o pai, Nabor Wanderley

O pai de Hugo Motta, Nabor Wanderley Filho, responde ou respondeu a processos e questionamentos do Ministério Público da Paraíba:

  • Operação Veiculação (2007–2009):
  • Apontou supostos desvios de verbas públicas na locação de veículos pela prefeitura de Patos.
  • Nabor foi alvo de investigação por suspeita de fraude em licitações.
  • Improbidade administrativa:

Teve condenações em primeira instância por supostas irregularidades em contratos de serviços e diárias durante o período como prefeito.

Alguns processos ainda tramitam, outros foram revertidos ou prescreveram.

Denúncias de nepotismo

O Ministério Público da Paraíba já investigou casos de nepotismo cruzado envolvendo a família Wanderley.

A prática consistia em parentes de um político serem nomeados por outro aliado em cargos municipais ou estaduais, para driblar restrições constitucionais.

A mãe, Illana Motta é acusada de casos de corrupção

Illana Motta, foi envolvida em um caso de corrupção que resultou em sua prisão preventiva em 2016. Ela foi acusada de integrar um esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos enquanto era chefe de gabinete da Prefeitura de Patos, na Paraíba. A operação, denominada Operação Veiculação, apurou irregularidades em contratos de locação de veículos, superfaturamento e direcionamento de licitações, envolvendo mais de R$ 11 milhões em verbas de programas federais como Fundeb, PNATE e Saúde.

Em 2021, Illana Motta foi absolvida das acusações em primeira instância . No entanto, a operação também afetou outros membros da família: sua mãe, Francisca Motta, que era prefeita de Patos na época, foi afastada do cargo devido às investigações. Além disso, seu marido, Renê Trigueiro Caroca, então prefeito de São José de Espinharas, também foi preso preventivamente por envolvimento no esquema.

Esses eventos colocaram a família Motta sob intensa investigação e atenção pública, especialmente devido à posição política de Hugo Motta como presidente da Câmara dos Deputados. Embora ele não tenha sido formalmente acusado ou condenado em relação a esses casos, o envolvimento de sua família em escândalos de corrupção tem sido um ponto de crítica e questionamento em sua trajetória política.

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