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Traficante do Comando Vermelho comprou R$ 5 milhões de armas em SP com ajuda de empresário de clube de tiro

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Documentos apreendidos pela Polícia Civil mostram elo entre o tráfico e um atirador esportivo de São Paulo. Facção comprou fuzis, munições e armamento pesado por meio de transações via Pix

Por Sandra Venancio

Uma planilha encontrada no celular de Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o Da Roça, apontado como um dos principais articuladores da expansão do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, revelou o poder de fogo e a estrutura financeira da facção. O documento, obtido pela Polícia Civil e compartilhado com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), mostra que o grupo gastou mais de R$ 5 milhões em armamentos em apenas um mês.

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Entre os itens listados, estão 44 mil cartuchos de calibres 7,62 e 5,56, além de 14 fuzis, incluindo um calibre .50, arma capaz de atravessar blindagens e derrubar aeronaves. Segundo investigadores, as compras eram coordenadas por Da Roça, que estaria refugiado no Complexo do Alemão.

‘Fundo de guerra’ do Comando Vermelho movimentou milhões em compras de armas, diz investigação. Foto Divulgação/PM do Rio de Janeiro

Rota da munição e o elo paulista

Com base nas informações da planilha, a polícia rastreou parte da munição usada em ataques a forças de segurança e em invasões a territórios rivais. O documento aponta o pagamento de R$ 1,6 milhão a um fornecedor identificado apenas como “Bazzana” — que, segundo as investigações, é Eduardo Bazzana, de 68 anos, atirador esportivo registrado no Exército e ex-presidente do Clube Americanense de Tiro, no interior de São Paulo.

https://twitter.com/AnnaMonteiroAn1/status/1983264920671269269

Preso em maio deste ano, Bazzana mantinha duas lojas de armas e munição legalmente registradas e era responsável por intermediar a venda de grandes quantidades de cartuchos ao tráfico carioca. O Gaeco identificou transferências via Pix, feitas por laranjas de Da Roça, com valores e datas que coincidem com os lançamentos da planilha.

Essas movimentações financeiras, de acordo com a promotoria, comprovam a relação direta entre o empresário e a facção. As mensagens extraídas do WhatsApp do traficante incluem comprovantes bancários, pedidos de armamento e fotografias de carregamentos prontos para envio.

Da Roça: o novo arrecadador do “fundo de guerra”

Natural de Rondônia, Luiz Carlos Bandeira Rodrigues ascendeu rapidamente no Comando Vermelho. Ganhou destaque ao liderar a expansão da facção na Zona Oeste do Rio, principalmente em Jacarepaguá, e consolidou-se como figura de confiança do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe do tráfico no Complexo da Penha.

https://twitter.com/RomuloBDias/status/1983310050098889100

Como recompensa por sua atuação, Da Roça recebeu o comando da favela da Muzema, na Zona Sudoeste — até então sob domínio de milicianos. No novo território, ele passou a controlar não apenas o tráfico local, mas também atividades paralelas, como cobrança de taxas a comerciantes, roubo de veículos e cargas, e venda de “gatonet”.

Segundo as investigações, Da Roça tornou-se um dos principais arrecadadores do “fundo de guerra”, o caixa destinado à compra de armamento pesado para os confrontos entre facções e milícias. A Polícia Civil o considera uma das peças-chave na logística de importação e distribuição de drogas e armas no Rio de Janeiro.

https://twitter.com/CrimeRealrj/status/1981050007827697683

Empresário de fachada

Enquanto o tráfico movimentava milhões no Rio, Eduardo Bazzana mantinha em Americana (SP) a imagem de um empresário respeitável. À frente do Clube Americanense de Tiro, que já sediou campeonatos sul-americanos, ele convivia com clientes influentes — médicos, advogados, políticos e policiais — e cobrava anuidade de R$ 750.

Em seu site institucional, o clube se apresentava como “referência nacional em práticas esportivas de tiro”, com estacionamento para 100 veículos, restaurante, quiosque e estrutura adaptada para atletas com deficiência.

Hoje, o empresário responde na Justiça sob acusação de fornecimento de munição ao Comando Vermelho. O caso é investigado em conjunto pela Polícia Civil do Rio, o Gaeco e o Ministério Público de São Paulo, que agora buscam identificar outros clubes de tiro e empresas de fachada usados pelo tráfico para lavar dinheiro e adquirir armamentos.

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