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Organizações denunciam ‘matança de Estado’ em operação policial no Rio e responsabilizam Cláudio Castro por chacina

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Entidades de direitos humanos responsabilizam o governador Cláudio Castro por 64 mortes e afirmam que o Estado “transformou favelas em campos de batalha”

Por Sandra Venancio

Quase 30 organizações de direitos humanos e coletivos da sociedade civil divulgaram, nesta terça-feira (28), uma nota conjunta classificando a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, como uma “matança produzida pelo Estado brasileiro”. A ação, considerada a mais letal da história do estado, deixou 64 mortos, incluindo quatro policiais, segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

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O documento responsabiliza diretamente o governador Cláudio Castro (PL), afirmando que ele “detém o título de responsável por quatro das cinco operações mais letais da história do Rio de Janeiro”. As entidades acusam o governo de “premiar o confronto e a morte”, transformando comunidades em “campos de batalha, onde moradores são tratados como inimigos internos”.

Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 – Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contensçao. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Entre as signatárias estão Anistia Internacional Brasil, Justiça Global, Conectas Direitos Humanos, Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), CEJIL, Instituto Papo Reto, Redes da Maré, ISER, Observatório de Favelas, Instituto Sou da Paz, Rede Justiça Criminal, Casa Fluminense e Frente Estadual pelo Desencarceramento, entre outras.

Críticas à política de segurança e à “guerra às drogas”

O texto denuncia que o governo estadual tem buscado enfraquecer mecanismos de controle e transparência nas ações policiais, como a ADPF das Favelas (635) — decisão do Supremo Tribunal Federal que estabelece limites para operações em comunidades — e a ADPF 976, que reforça a necessidade de planejamento e preservação de vidas durante incursões.

As organizações afirmam que a Operação Contenção “expõe o fracasso e a violência estrutural da política de segurança pública” e “coloca a cidade em estado de terror”. O documento também cita alertas da ONU e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre o caráter racista e discriminatório da política de “guerra às drogas” adotada pelo Estado do Rio.

https://twitter.com/CelebridadesDas/status/1983278829025255528

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), 5.421 jovens de até 29 anos foram mortos em intervenções policiais nos últimos dez anos. A maioria dessas vítimas é composta por homens negros e moradores de favelas.

Cenário de horror após a operação

Na madrugada desta quarta-feira (29), moradores do Complexo da Penha levaram mais de 50 corpos até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, um dia após os confrontos. As vítimas foram encontradas em uma área de mata entre os complexos da Penha e do Alemão, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os tiroteios entre policiais e integrantes do Comando Vermelho (CV).

Relatos de moradores apontam que ainda há corpos no alto do morro e que o número de mortos pode ser superior ao divulgado pelas autoridades. Vídeos e testemunhos indicam que parte das vítimas teria sido executada após rendição, o que reforça as denúncias de execuções sumárias e desaparecimentos.

Histórico de letalidade

A gestão de Cláudio Castro acumula recordes de mortes em operações policiais. Segundo levantamento do Fórum Grita Baixada e do CESeC, quatro das cinco operações mais letais da história do Rio ocorreram entre 2021 e 2025, todas sob o atual governo.

Entre elas estão:

  • Jacarezinho (2021) — 28 mortos;
  • Complexo do Alemão (2022) — 18 mortos;
  • Complexo da Maré (2023) — 21 mortos;
  • Penha e Alemão (2025) — 64 mortos.

Reação e silêncio oficial

Até o fechamento desta reportagem, o governo do Rio de Janeiro não havia se manifestado oficialmente sobre o documento das entidades. O governador Cláudio Castro tem defendido publicamente a operação, afirmando que “a polícia enfrentou criminosos fortemente armados e salvou vidas”.

A Defensoria Pública do Estado e o Ministério Público Federal estudam medidas judiciais para apurar as circunstâncias da operação e garantir o cumprimento da ADPF das Favelas, que continua em vigor.

Enquanto isso, organizações e familiares das vítimas prometem novos protestos nos próximos dias, exigindo investigação independente e respeito aos direitos humanos nas favelas cariocas.

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