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sexta-feira, março 13, 2026
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Brasil leva condenação ao ataque dos EUA à ONU

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País deve discursar no Conselho de Segurança e reforçar defesa da soberania venezuelana e do multilateralismo

O Brasil deve pedir a palavra nesta segunda-feira na reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que discutirá a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Embora não integre atualmente o colegiado, o governo brasileiro pretende intervir com base na regra 37 do regimento do Conselho, que autoriza a participação de países diretamente interessados no tema em debate.

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A reunião está prevista para ocorrer por volta do meio-dia, no horário de Brasília, em Nova York. O Brasil será representado pelo embaixador Sérgio Danese, que deve reafirmar a posição já manifestada publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de condenação à ação norte-americana e de defesa dos princípios do direito internacional.

A atuação do Brasil no Conselho de Segurança ocorre em um contexto de enfraquecimento dos mecanismos multilaterais diante de ações unilaterais de grandes potências. Foto Eduardo Munoz

No sábado, Lula classificou os bombardeios e a detenção de Maduro como uma afronta grave à soberania venezuelana e uma violação inaceitável das normas internacionais. Segundo o presidente, a operação abre um precedente perigoso e remete a episódios históricos de intervenção externa na América Latina e no Caribe. O governo brasileiro defende uma resposta firme da ONU e o fortalecimento do multilateralismo como forma de conter a escalada do conflito.

Interlocutores do Itamaraty indicam que o discurso brasileiro também deve enfatizar a necessidade de uma solução pacífica e negociada para a crise. O Brasil chegou a se apresentar como potencial mediador, mas avalia que o ambiente político no Conselho de Segurança limita qualquer avanço prático. Nos bastidores, a expectativa é de que nenhuma resolução seja aprovada, já que os Estados Unidos têm poder de veto como membro permanente do órgão.

Após as manifestações dos integrantes permanentes e não permanentes do Conselho, os países que solicitaram participação poderão se pronunciar, seguindo o rito habitual das sessões. A reunião ocorre em meio à ampliação da tensão diplomática internacional e ao reposicionamento de governos da região diante da ação militar norte-americana.

A ofensiva contra a Venezuela e a condução de Maduro aos Estados Unidos para responder a acusações criminais provocaram reações coordenadas. No domingo, Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta expressando rejeição às ações unilaterais e alertando para os riscos à paz regional e à população civil.

Multilateralismo sob pressão

A atuação do Brasil no Conselho de Segurança ocorre em um contexto de enfraquecimento dos mecanismos multilaterais diante de ações unilaterais de grandes potências. Ao recorrer à regra 37, o governo brasileiro busca registrar posição política e jurídica, mesmo sem expectativa de deliberação concreta. A iniciativa também sinaliza alinhamento regional contra intervenções externas e reforça a defesa da América Latina e do Caribe como zona de paz, em meio a disputas que envolvem soberania, controle de recursos estratégicos e influência geopolítica.

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