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segunda-feira, janeiro 26, 2026
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Lula se irrita com Toffoli no caso Banco Master e vê risco de desgaste institucional no STF

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Presidente acompanha inquérito de perto, critica sigilo elevado e demonstra temor de que investigação bilionária acabe sem responsabilização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou irritação com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria do inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Em conversas reservadas com auxiliares, o presidente chegou a afirmar que o magistrado deveria deixar a Corte, por renúncia ou aposentadoria, diante do desgaste provocado pelo caso e de seus desdobramentos políticos e institucionais.

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A insatisfação do presidente não se limita a divergências pontuais. Lula acompanha de perto o andamento do inquérito desde o fim do ano passado e monitora os impactos do caso sobre a imagem do STF e sobre a narrativa pública de combate a fraudes financeiras de grande escala. Relatos de interlocutores apontam que o presidente fez comentários duros sobre Toffoli e sinalizou que não pretende defendê-lo diante das críticas que se acumulam contra sua condução do processo.

Lula acompanha de perto o andamento do inquérito desde o fim do ano passado e monitora os impactos do caso sobre a imagem do STF e sobre a narrativa pública de combate a fraudes financeiras de grande escala. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

O incômodo no Planalto tem um viés institucional claro. Lula avalia que o Supremo entrou no centro de uma crise de credibilidade após virem a público informações sobre ligações envolvendo parentes de ministros e estruturas relacionadas a fundos que integram a teia financeira do Banco Master. Na avaliação presidencial, o tribunal passou a ser percebido como vulnerável a conflitos de interesse e à falta de transparência em investigações sensíveis.

Outro fator que ampliou a tensão foi a decisão de impor sigilo elevado ao inquérito. O presidente demonstrou preocupação com a possibilidade de o caso ser abafado, reforçando o temor de que investigações que envolvem cifras bilionárias e agentes com trânsito político terminem sem consequências proporcionais. Auxiliares relatam que Lula vê nesse ponto um risco direto à coerência do discurso governamental de combate a fraudes e crimes financeiros.

Em conversas atribuídas ao presidente, Lula teria feito uma comparação direta entre o rigor do Estado contra os mais pobres e a tolerância histórica com grandes esquemas financeiros. Para ele, a percepção de seletividade na punição mina a confiança da população nas instituições e alimenta a ideia de impunidade estrutural quando estão em jogo interesses poderosos.

Nos bastidores, a avaliação é de que o inquérito do Banco Master tem potencial de atingir diferentes campos políticos. O entorno presidencial reconhece que a investigação pode alcançar tanto figuras da oposição quanto aliados do governo, especialmente diante das conexões empresariais e políticas que orbitam o banco. A ordem no Planalto é que as apurações avancem, mesmo que provoquem desgaste interno.

Retranca – Dinheiro, poder e conexões
Mapeamentos internos indicam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantém relações com políticos do centrão e também com aliados do PT na Bahia. O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do banco, aparece ligado a figuras centrais do governo, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner. Essas conexões reforçam o caráter transversal do caso e explicam a cautela política do Planalto, que tenta evitar a narrativa de blindagem seletiva.

A cronologia do desgaste também pesa na avaliação presidencial. Lula ficou particularmente intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo elevado um pedido da defesa de Vorcaro para levar as investigações ao STF, tomada pouco antes de vir à tona a informação sobre contratos milionários de um escritório de advocacia ligado a integrante da Corte com interesses do Banco Master. Para aliados, esse encadeamento de fatos aprofundou a desconfiança sobre o destino da investigação.

Em dezembro, Lula chamou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A conversa foi descrita como cordial, mas com cobrança direta por um desfecho consistente. O presidente deixou claro que, do ponto de vista do Executivo, tudo o que fosse apurado deveria ser levado até as últimas consequências, sem concessões, mesmo sob sigilo.

Apesar da irritação expressa nos bastidores, auxiliares avaliam que Lula dificilmente formalizará um pedido para que Toffoli deixe o Supremo ou abra mão da relatoria. Ainda assim, o recado político foi dado: o Planalto não quer carregar o ônus de um caso bilionário que termine em descrédito institucional, nem ser associado a um desfecho visto pela opinião pública como “mais uma grande pizza”.

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