x-servidora responde por peculato e lavagem de dinheiro; apuração aponta uso de notas fiscais e recibos falsos
A Justiça de Campinas inicia nesta segunda-feira a fase de instrução do processo que apura o desvio de recursos públicos destinados a projetos científicos financiados pela Fapesp no Instituto de Biologia da Unicamp. A ex-servidora Ligiane Marinho de Ávila é ré por peculato e lavagem de dinheiro e passou a ser considerada foragida após deixar o Brasil em fevereiro do ano passado.
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As investigações indicam que, a partir de 2018, a ex-servidora abriu uma empresa em seu próprio nome e utilizou o CNPJ para emitir notas fiscais falsas. Esses documentos teriam sido apresentados como prestação de contas de projetos de pesquisa científica, permitindo a liberação indevida de recursos públicos. O Ministério Público aponta que, entre 2018 e 2023, a conta pessoal da ré movimentou mais de R$ 6 milhões provenientes dessas operações.

Segundo a apuração, parte do dinheiro foi usada para a compra de moeda estrangeira, o que reforçou a suspeita de lavagem de dinheiro. Também foram identificados recibos considerados falsos, utilizados para dar aparência de regularidade às prestações de contas apresentadas aos órgãos de controle.
A Polícia Federal comunicou recentemente à Justiça que Ligiane Marinho de Ávila foi localizada no Reino Unido. Diante disso, o Ministério Público solicitou ao Ministério da Justiça o envio da documentação necessária para o cumprimento do mandado de prisão no exterior e para a análise de um eventual pedido de extradição. O pedido foi aceito pelo Judiciário.
Apesar de constar como foragida, a defesa informou que a acusada deve comparecer às audiências marcadas para esta segunda e terça-feira. O advogado sustenta que todas as operações financeiras foram realizadas com o conhecimento dos pesquisadores responsáveis pelos projetos e afirma que os fatos serão esclarecidos ao longo da instrução processual.
O caso também resultou na abertura de ações cíveis que discutem a responsabilidade de pesquisadores que coordenavam os projetos atingidos pelo esquema. A Unicamp e a Fapesp encaminharam manifestações à Justiça, nas quais afirmam que os desvios foram identificados a partir da análise das prestações de contas de múltiplos projetos de pesquisa.
As audiências desta semana preveem a oitiva de testemunhas e da própria ré, etapa considerada central para a consolidação das provas e para o avanço do processo criminal.




