Ex-ministro afirma que desgaste da Corte exige mudanças internas e alerta para risco de reforma imposta pelo Parlamento

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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirmou que o Supremo Tribunal Federal precisa passar por uma autorreforma diante do desgaste junto à sociedade. Em entrevista publicada nesta segunda-feira (6), ele resumiu o cenário com a declaração: “O rei está nu”, ao defender mudanças estruturais no funcionamento da Corte.
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Segundo Dirceu, apesar do papel histórico do STF na defesa do Estado democrático de Direito, há necessidade de revisão de práticas e maior transparência. Ele citou pesquisas de opinião que indicariam pressão social por mudanças e defendeu que o tribunal abra diálogo com a sociedade sobre temas como código de ética para ministros, limites de permanência no cargo e regras mais claras sobre atividades fora da função judicial.
ALERTA AO CONGRESSO
O ex-ministro avaliou que, caso o próprio STF não conduza mudanças internas, o Congresso Nacional pode assumir esse papel. Para ele, uma reforma imposta pelo Legislativo poderia gerar consequências mais profundas no equilíbrio entre os Poderes.
“Daqui a pouco se forma uma maioria e ele vai ser reformado pelo Parlamento. Vai ser pior”, afirmou. Dirceu também criticou a ideia de que questionamentos ao Supremo representem, automaticamente, ataques à democracia, defendendo a legitimidade do debate institucional.
CRISE ESTRUTURAL
As críticas ao STF fazem parte de uma análise mais ampla sobre o cenário político brasileiro. Dirceu afirmou que o país caminha para uma crise institucional que exigirá reformas nos três Poderes. No Legislativo, mencionou o modelo de emendas parlamentares; no Executivo, apontou a necessidade de reforma administrativa; e, no Judiciário, reforçou a urgência de mudanças estruturais.
Para ele, a ausência de reformas pode abrir espaço para soluções autoritárias. “Nós queremos que a democracia seja desmoralizada e que se justifique um regime autoritário no Brasil? Não queremos? Então vamos preservar a democracia reformando o que for necessário”, declarou.
DISPUTA POLÍTICA
Na entrevista, Dirceu também comentou o cenário eleitoral de 2026 e manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) tem legado a apresentar e criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como possível adversário na disputa presidencial.
Dirceu defendeu que o debate eleitoral seja centrado em temas estruturais, como desenvolvimento econômico, soberania e desigualdade, evitando a predominância de pautas pontuais.
REFORMA DO ESTADO
O ex-ministro também mencionou a necessidade de um “freio de arrumação” nas instituições brasileiras, defendendo um pacto nacional envolvendo diferentes setores da sociedade. Ele citou episódios recentes do sistema financeiro como possíveis catalisadores para mudanças mais amplas e afirmou que o país pode precisar discutir uma reestruturação do Estado.
Apesar do diagnóstico crítico, Dirceu reconheceu que ainda não há maioria política para implementar reformas profundas, mas avaliou que o debate precisa avançar para evitar o agravamento da crise institucional.




