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Doação de pai de banqueiro preso aprofunda guerra entre bolsonarismo e Romeu Zema

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Eduardo Bolsonaro reagiu às críticas de Romeu Zema a Flávio Bolsonaro usando doação eleitoral de R$ 1 milhão feita pelo pai de Daniel Vorcaro ao diretório mineiro do Novo; episódio amplia disputa pelo comando da direita em 2026

O partido tenta consolidar uma identidade liberal e independente sem romper completamente com o eleitorado bolsonarista, considerado estratégico em estados conservadores. – Fotomontagem: SECOM/MG e Linkedin

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A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme “Dark Horse” abriu uma nova frente de conflito dentro do campo conservador. Nesta quinta-feira (14), o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro elevou o tom contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema após críticas feitas por Zema ao pedido de recursos feito por Flávio ao dono do Banco Master.

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A reação de Eduardo Bolsonaro ocorreu depois que Zema classificou como “imperdoável” a cobrança de dinheiro feita por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em resposta, Eduardo passou a explorar publicamente uma doação eleitoral de R$ 1 milhão feita por Henrique Moura Vorcaro — pai do banqueiro e preso nesta semana pela Polícia Federal — ao diretório mineiro do Partido Novo nas eleições de 2022.

O registro da doação aparece na base pública do Tribunal Superior Eleitoral e passou a ser utilizado por aliados do bolsonarismo para acusar Zema de contradição política. O argumento central é que o ex-governador criticou Flávio Bolsonaro por manter interlocução financeira com Daniel Vorcaro, enquanto o partido de Zema recebeu recursos do pai do banqueiro.

Em publicação nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro acusou Zema de não ouvir “o outro lado” antes de atacar Flávio e afirmou que o caso não envolve “desvio de dinheiro, Lei Rouanet ou recursos públicos”.

A deputada Júlia Zanatta também entrou na ofensiva e compartilhou documentos relacionados à doação eleitoral feita ao Novo mineiro. Em postagem, afirmou que Zema teria utilizado o episódio para “pisotear” Flávio Bolsonaro e impulsionar seu próprio projeto presidencial.

Disputa pela direita

O embate evidencia a deterioração das relações entre o bolsonarismo e setores do Novo em meio à antecipação informal da disputa presidencial de 2026. Nos bastidores, integrantes do PL passaram a enxergar Romeu Zema como concorrente direto pela liderança do eleitorado conservador em um cenário de desgaste jurídico e político da família Bolsonaro.

Até recentemente, interlocutores das duas legendas discutiam alianças regionais e possíveis composições nacionais. Após a escalada do conflito, parlamentares bolsonaristas passaram a defender o rompimento político com o Novo. Júlia Zanatta chegou a afirmar que, se presidisse o PL, desfaria acordos partidários com a legenda de Zema em todos os estados.

O episódio também expõe um dilema político para o Novo. O partido tenta consolidar uma identidade liberal e independente sem romper completamente com o eleitorado bolsonarista, considerado estratégico em estados conservadores. A revelação da doação milionária feita por Henrique Moura Vorcaro aumentou a pressão pública sobre a legenda justamente no momento em que o escândalo do Banco Master domina o debate político nacional.

Áudios ampliaram crise

A guerra pública começou após a divulgação, pelo The Intercept Brasil, de mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro aparece negociando apoio financeiro de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”. Segundo a reportagem, as negociações envolviam cerca de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões.

Flávio confirmou que pediu recursos ao banqueiro, mas afirmou que buscava apenas “patrocínio privado para um filme privado”. O senador negou irregularidades e sustentou que não houve uso de dinheiro público, recursos da Lei Rouanet ou benefício pessoal.

A situação se complicou após a produtora responsável pelo filme e o deputado Mário Frias negarem oficialmente que recursos de Daniel Vorcaro tenham entrado na produção. A contradição abriu espaço para questionamentos da oposição sobre o destino dos valores discutidos nas conversas divulgadas.

Enquanto partidos de esquerda articulam pedidos de quebra de sigilo, rastreamento financeiro e investigações sobre possíveis remessas internacionais, a direita passou a travar uma disputa pública sobre responsabilidade política e vínculos com o entorno do Banco Master.

O confronto entre Eduardo Bolsonaro e Romeu Zema indica que o escândalo deixou de atingir apenas o núcleo financeiro investigado pela Polícia Federal e passou a influenciar diretamente a reorganização interna do campo conservador para as eleições presidenciais de 2026.

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