18.9 C
Campinas
quinta-feira, maio 14, 2026
spot_img

PF aponta infiltração de policiais federais em esquema ligado ao Banco Master e detalha atuação de grupo de espionagem clandestina

Data:

Decisão do ministro André Mendonça revela suspeita de uso ilegal de sistemas da Polícia Federal, monitoramento clandestino, ataques cibernéticos e intimidação de adversários ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro

Entre os policiais federais investigados estão Sebastião Monteiro Júnior, policial aposentado; Anderson Wander da Silva Lima, agente da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro; a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva; e Francisco José Pereira da Silva, também aposentado. Foto Reproduçaõ

<OUÇA A REPORTAGEM>

A investigação da Polícia Federal sobre a 6ª fase da Operação Compliance Zero aponta que policiais federais da ativa, aposentados e até uma delegada da corporação teriam atuado em um esquema clandestino de obtenção de informações sigilosas, monitoramento ilegal e intimidação de adversários ligados ao entorno do banqueiro Daniel Vorcaro. As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a nova fase da operação deflagrada nesta quinta-feira (14).

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>

Segundo a PF, os investigados integrariam um núcleo conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, acessos ilegais a bancos de dados públicos e obtenção de informações protegidas por sigilo funcional. A estrutura teria atuado em benefício do grupo econômico ligado ao Banco Master.

De acordo com os investigadores, o grupo era liderado por Marilson Roseno da Silva e operava sob demanda de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, preso nesta quinta-feira em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A PF afirma que Henrique atuava tanto como operador financeiro quanto como articulador das demandas ilícitas executadas pelo grupo.

Entre os policiais federais investigados estão Sebastião Monteiro Júnior, policial aposentado; Anderson Wander da Silva Lima, agente da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro; a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva; e Francisco José Pereira da Silva, também aposentado.

Segundo a investigação, Valéria e Francisco teriam realizado consultas indevidas no sistema e-Pol — plataforma interna da Polícia Federal — para repassar dados sigilosos ao grupo criminoso. Os investigadores sustentam que os acessos eram utilizados para monitorar procedimentos policiais, identificar movimentações investigativas e antecipar informações estratégicas relacionadas aos interesses de Henrique Vorcaro.

A decisão do STF também menciona Manoel Mendes Rodrigues, descrito pela investigação como “empresário do jogo” no Rio de Janeiro e apontado como responsável por um braço regional da organização criminosa.

Estrutura paralela

A Polícia Federal sustenta que o grupo conseguiu se infiltrar em “circuitos informacionais sensíveis” por meio de pessoas com acesso funcional privilegiado. A suspeita é de que agentes públicos e operadores privados tenham formado uma rede voltada à circulação clandestina de dados sigilosos e recursos financeiros em benefício da organização.

Além de “A Turma”, os investigadores descrevem outro núcleo chamado “Os Meninos”, identificado como um braço tecnológico especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis digitais e monitoramento telefônico ilegal.

Segundo a PF, ambos os grupos eram coordenados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. A investigação aponta que ele executava ordens do chamado “núcleo central da organização criminosa”, ligado ao entorno empresarial de Daniel Vorcaro.

A representação policial afirma ainda que, em 2024, Marilson Roseno buscou auxílio de pelo menos três policiais federais para acessar informações sigilosas relacionadas a um inquérito envolvendo Henrique Vorcaro. Em um dos trechos reproduzidos na decisão judicial, Anderson Wander teria sido acionado após o recebimento de uma intimação dirigida ao empresário.

Para os investigadores, o episódio reforça a hipótese de que a estrutura clandestina não se limitava à prática de intimidações e cobranças, mas atuava diretamente na obtenção de dados estratégicos sobre investigações policiais em andamento.

Ao todo, a operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os investigados poderão responder por organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos, corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e violação de sigilo funcional.

Até o momento, as defesas dos investigados não haviam divulgado posicionamento oficial sobre as acusações.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade