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Lula recebe Michelle Bachelet no Planalto e reforça articulação do Brasil para comandar ONU

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Encontro em Brasília ocorre em meio à disputa internacional pela sucessão de António Guterres e amplia ofensiva diplomática do governo brasileiro em favor da ex-presidente chilena

Em fevereiro, Lula afirmou que “é hora de a ONU finalmente ser comandada por uma mulher”, associando a candidatura de Bachelet à defesa do multilateralismo, dos direitos humanos e da igualdade de gênero. Foto Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta segunda-feira (11), no Palácio do Planalto, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, em um movimento que reforça a articulação diplomática brasileira para tentar levá-la ao comando da Organização das Nações Unidas (ONU).

A reunião acontece em meio às negociações internacionais para a sucessão de António Guterres, cujo mandato termina no final de 2026. O governo brasileiro atua nos bastidores para consolidar apoio à candidatura de Bachelet, vista pelo Itamaraty e pelo Palácio do Planalto como nome capaz de reposicionar a influência latino-americana dentro do sistema multilateral.

Bachelet comandou o Chile em dois mandatos e ocupou posições estratégicas nas Nações Unidas. Foi diretora-executiva da ONU Mulheres e alta comissária da ONU para Direitos Humanos, experiência considerada central por aliados de Lula na construção da candidatura.

Disputa geopolítica dentro da ONU

A corrida pela Secretaria-Geral da ONU envolve não apenas critérios diplomáticos, mas também disputas de influência entre grandes potências globais. Embora a escolha formal passe pela Assembleia Geral, a definição prática depende do Conselho de Segurança, onde Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido possuem poder de veto.

Esse mecanismo transforma a sucessão em uma complexa negociação geopolítica. Nos bastidores diplomáticos, interlocutores avaliam que o apoio brasileiro a Bachelet também funciona como tentativa de ampliar o protagonismo internacional do Brasil após anos de isolamento diplomático durante o governo Bolsonaro.

Além de Michelle Bachelet, aparecem como possíveis candidatos o diplomata argentino Rafael Mariano Grossi, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan e o ex-presidente do Senegal Macky Sall.

Três dos nomes mais fortes são latino-americanos, cenário que intensifica a disputa regional por apoio internacional e espaço político dentro das Nações Unidas.

Revés político no Chile

A candidatura de Bachelet sofreu desgaste após a vitória presidencial de José Antonio Kast, representante da direita chilena, que retirou o apoio oficial do governo chileno à ex-presidente.

Mesmo diante desse revés, Lula decidiu manter respaldo público à candidatura da aliada histórica da centro-esquerda latino-americana. O gesto também possui peso simbólico na política regional: reforça a aproximação entre governos progressistas sul-americanos em um momento de reorganização das forças conservadoras no continente.

Em fevereiro, Lula afirmou que “é hora de a ONU finalmente ser comandada por uma mulher”, associando a candidatura de Bachelet à defesa do multilateralismo, dos direitos humanos e da igualdade de gênero.

Nos bastidores do Itamaraty, diplomatas avaliam que a eleição de uma mulher para a Secretaria-Geral da ONU teria impacto histórico e poderia reposicionar debates globais sobre representatividade política e governança internacional.

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