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Lula deve pedir afastamento de Jaques Wagner da liderança do governo após operação da PF

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Senador do PT é investigado na Operação Compliance Zero; Planalto avalia que permanência no cargo pode ampliar desgaste político do governo

A postura de Wagner diante do caso Master dificulta a credibilidade nas declarações do senador, que chegou a dizer dias atrás que não tinha quaisquer relações com os negócios do grupo de Vorcaro. Foto Lula Marques/Agencia Brasil

<OUÇA A REPORTAGEM>

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir nos próximos dias com o senador Jaques Wagner (PT-BA) para discutir a permanência do parlamentar na liderança do governo no Senado. A movimentação ocorre após a deflagração da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas relações entre agentes públicos e o grupo financeiro ligado ao Banco Master.

Segundo informações de bastidores, interlocutores do Palácio do Planalto já teriam sinalizado a Wagner que o presidente avalia a necessidade de um afastamento temporário da função para que o senador possa concentrar sua defesa durante as investigações.

O desconforto no governo aumentou após declarações públicas do parlamentar sobre uma conversa reservada com Lula. Integrantes do Planalto consideraram inadequada a divulgação do contato e avaliaram que as explicações apresentadas pelo senador não foram suficientes para conter o desgaste político provocado pela operação.

Em entrevista recente, Wagner afirmou acreditar que o presidente não alteraria sua posição na liderança do governo devido à relação de confiança construída ao longo dos anos. A declaração, entretanto, foi interpretada por integrantes do governo como uma tentativa de reforçar publicamente sua permanência no cargo.

A apreensão também aumentou após a apreensão de dois aparelhos celulares durante o cumprimento de medidas autorizadas pela investigação. Integrantes do governo acompanham o caso com cautela, aguardando os desdobramentos da análise do material recolhido pelos investigadores.

A investigação cita um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões que, segundo a Polícia Federal, teria sido negociado em circunstâncias relacionadas à atuação política em favor de interesses do grupo financeiro investigado. Wagner nega irregularidades e afirma que o imóvel nunca integrou seu patrimônio.

Em entrevista, o senador declarou que havia manifestado interesse em auxiliar a filha na aquisição do imóvel e que o apartamento ainda estava em fase de construção. Segundo ele, a negociação não chegou a ser concluída.

NOTA DO SENADOR

Em nota divulgada por sua assessoria, Jaques Wagner afirmou que não é réu, não foi denunciado e nem acusado formalmente em qualquer processo relacionado aos fatos apurados na Operação Compliance Zero.

“O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas”, informou a assessoria.

A nota acrescenta que “o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar” e que o senador nega ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos durante a operação, a assessoria afirmou que os recursos são provenientes de diárias oficiais recebidas em missões internacionais, declaradas e não utilizadas.

Por fim, o senador reiterou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e declarou confiar que os fatos serão esclarecidos ao longo das investigações.

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