PF investiga lavagem de R$ 246 milhões em nova fase da Operação Disco de Ouro: Alexandre Pires está entre os alvos

0
11
A Polícia Federal continua investigando a origem dos recursos, a cadeia de comercialização dos minérios e a eventual participação de cada um dos envolvidos. Foto Reprodução

Investigação apura movimentação de mais de US$ 48 milhões e uso de empresas, contas de terceiros e sistema de dólar-cabo; operação é desdobramento de caso envolvendo cassiterita extraída da Terra Yanomami

<OUÇA A REPORTAGEM>

Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

Por Sandra Venancio – Jornal Local

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (23) a segunda fase da Operação Disco de Ouro, que investiga a movimentação e a ocultação de mais de US$ 48 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 246 milhões. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas à comercialização e à exportação de minérios.

Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e executadas 17 ordens de sequestro de bens e valores, autorizadas pela Justiça Federal. Segundo a investigação, o grupo teria utilizado empresas no Brasil e no exterior, contas de terceiros e operações financeiras internacionais para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.

Minério teria sido substituído por brita

A investigação é um desdobramento da Operação Disco de Ouro, iniciada após a apreensão, em janeiro de 2022, de aproximadamente 30 toneladas de cassiterita que, segundo a Polícia Federal, teriam sido extraídas ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Na primeira fase, deflagrada em dezembro de 2023, a PF apontou que o minério retirado da região indígena teria sido apresentado documentalmente como se tivesse origem em uma área regular de garimpo em Itaituba, no Pará.

A apuração também alcançou uma suspeita de fraude na exportação. Segundo informações da investigação divulgadas nesta quarta-feira, 109 dos 129 contêineres enviados para países asiáticos foram abertos e apresentaram areia ou brita no lugar do concentrado de cassiterita que havia sido negociado.

As cargas foram destinadas a mercados como Tailândia, China e Malásia e estavam relacionadas a uma negociação com a multinacional suíça Gerald Metals, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

Dólar-cabo

A Polícia Federal também investiga o uso do chamado dólar-cabo, mecanismo informal utilizado para movimentação de valores entre países sem a transferência física do dinheiro.

Segundo a investigação, parte dos recursos teria sido pulverizada entre diferentes pessoas e empresas para dificultar o rastreamento das operações financeiras.

A apuração aponta ainda para o uso de documentos com informações supostamente falsas para conferir aparência regular à cadeia de comercialização e exportação dos minérios.

Dependendo da participação individual, os investigados podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira. As suspeitas ainda são objeto de investigação.

Alexandre Pires foi alvo na primeira fase

O cantor Alexandre Pires esteve entre os alvos da primeira fase da Operação Disco de Ouro, em dezembro de 2023. Na ocasião, agentes da Polícia Federal realizaram buscas no navio em que o artista estava, em Santos, no litoral paulista, e apreenderam o celular dele.

Segundo a investigação daquele período, havia aproximadamente R$ 1 milhão em valores relacionados à empresa investigada, incluindo cerca de R$ 375 mil depositados na conta pessoal do cantor e uma transferência de R$ 160 mil realizada pela empresa de Alexandre Pires para um dos investigados.

A defesa do artista negou envolvimento em atividades ilegais e afirmou, à época, que ele jamais havia cometido ilícitos.

A inclusão de Alexandre Pires na investigação, portanto, ocorreu no contexto das apurações da primeira fase da operação e não significa condenação ou comprovação de participação do cantor no esquema investigado.

Investigação alcança empresários e exportações

Informações divulgadas nesta quarta-feira apontam os empresários Diego e Matheus Possebon como personagens investigados no caso. Matheus Possebon já havia sido preso na primeira fase e é investigado por suposta intermediação na compra de minério extraído da Terra Indígena Yanomami.

Diego Possebon aparece em outra frente da investigação relacionada à suposta fraude na exportação de cargas. Segundo a apuração, parte dos valores teria sido movimentada por meio de doleiras e do sistema de dólar-cabo.

A Polícia Federal continua investigando a origem dos recursos, a cadeia de comercialização dos minérios e a eventual participação de cada um dos envolvidos.

Até o momento, as pessoas citadas na investigação são investigadas, e não condenadas pelos fatos descritos nesta reportagem.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui