Alckmin desmente vídeo de Flávio Bolsonaro no supermercado falando dos preços dos alimentos

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Flávio Bolsonaro utiliza o preço observado diretamente pelo consumidor para questionar o custo da alimentação. Alckmin contrapõe essa percepção com séries históricas de inflação e dados agregados. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Vice-presidente reage à estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) de usar preços de supermercados na campanha e apresenta comparação da inflação dos alimentos nos governos Bolsonaro e Lula

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O preço dos alimentos entrou de vez na disputa presidencial de 2026. Depois de Flávio Bolsonaro (PL) passar a utilizar visitas a supermercados e vídeos sobre preços como parte de sua estratégia eleitoral, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) respondeu nesta terça-feira (22) com uma comparação entre a evolução da inflação dos alimentos durante o governo Jair Bolsonaro e os três primeiros anos da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em uma publicação nas redes sociais, Alckmin afirmou: “Falar é discurso, fazer é resultado”.

A discussão coloca o custo da alimentação no centro da campanha. Flávio Bolsonaro vem explorando preços de produtos encontrados em supermercados para criticar o governo Lula, enquanto aliados do presidente passaram a responder utilizando indicadores oficiais de inflação. A campanha de Lula também levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação contra uma propaganda de Flávio relacionada ao preço da carne, alegando que uma declaração do presidente teria sido retirada de contexto. A defesa do candidato do PL foi procurada pela imprensa para se manifestar.

O que mostram os números

A comparação apresentada por Alckmin utiliza o índice de inflação da alimentação no domicílio calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento divulgado pelo vice-presidente, a média das taxas anuais entre 2020 e 2022 chegou a aproximadamente 13,2%, enquanto entre 2023 e 2025 ficou próxima de 3% ao ano.

A comparação, entretanto, precisa ser entendida como uma média aritmética das taxas de cada ano. Ela não significa que uma cesta de alimentos tenha ficado exatamente 13,2% mais cara em um período e 3% no outro. Índices de inflação acumulam variações de preços e devem ser analisados considerando o período e a metodologia utilizados pelo IBGE.

Os dados anuais citados na comparação mostram um comportamento diferente entre os períodos. Na série utilizada pelo governo, a alimentação no domicílio teve forte alta em 2020, seguida por novas altas em 2021 e 2022. Já no governo Lula, houve redução dos preços em 2023, seguida por alta em 2024 e nova desaceleração em 2025.

Em outro cálculo apresentado pelo próprio Alckmin, a chamada cesta de alimentos teria acumulado alta de 56% durante o governo Bolsonaro, contra 13% no período Lula considerado pela comparação. O vice-presidente também afirmou que o arroz, depois de registrar forte aumento anteriormente, apresentou queda de preços no atual governo.

A disputa pela percepção do consumidor

A diferença entre os discursos está também na forma de medir o problema. Flávio Bolsonaro utiliza o preço observado diretamente pelo consumidor para questionar o custo da alimentação. Alckmin contrapõe essa percepção com séries históricas de inflação e dados agregados.

São indicadores que respondem a perguntas diferentes. O preço de um produto específico em determinado supermercado mostra quanto o consumidor paga naquele momento. Já o IPCA mede a variação de uma cesta de bens e serviços ponderada de acordo com o peso desses itens no orçamento das famílias. O IBGE ressalta que os índices de inflação consideram tanto a variação dos preços quanto o peso de cada item na despesa das famílias.

A disputa ganhou dimensão eleitoral justamente porque alimentação é um dos itens mais sensíveis do orçamento doméstico. A estratégia de Flávio busca transformar a experiência cotidiana do consumidor em argumento político, enquanto o governo procura apresentar uma leitura baseada na evolução dos indicadores oficiais.

O episódio também mostra que a inflação dos alimentos deverá permanecer como um dos temas econômicos centrais da eleição de 2026. De um lado, a oposição procura explorar o preço percebido nas prateleiras; de outro, o governo apresenta dados históricos para comparar os períodos de administração federal.

A conclusão sobre a evolução dos preços, portanto, depende do indicador utilizado, do período analisado e da cesta considerada. O dado oficial do IBGE permite acompanhar a inflação de forma padronizada, enquanto a comparação de preços específicos precisa levar em conta produto, marca, região, estabelecimento e período da pesquisa. Afinal, até o tomate conseguiu virar personagem eleitoral, porque aparentemente nenhum alimento está a salvo em ano de eleição.

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