Editorial do Estadão alerta que vitória de Flávio Bolsonaro pode colocar milicianos na Presidência

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O próprio editorial termina reconhecendo que a escolha presidencial cabe aos eleitores, mas defende que o histórico político do senador seja considerado no debate eleitoral. Foto Fernando Frazão/Agencia Brasil

Jornal afirma que episódio envolvendo assessora do senador e condenado por organização criminosa exige explicações sobre relações políticas mantidas ao longo da carreira

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta quarta-feira (23) um editorial intitulado “Flávio e a sombra dos milicianos” no qual questiona a trajetória política do senador Flávio Bolsonaro (PL) e sustenta que uma eventual vitória dele na eleição presidencial representaria, na avaliação do jornal, um risco de aproximação de integrantes ou pessoas ligadas às milícias com o núcleo do poder federal.

O editorial retoma uma reportagem publicada pelo próprio Estadão sobre a atuação de uma assessora de Flávio Bolsonaro na destinação de aproximadamente R$ 200 mil em emendas parlamentares. Segundo o jornal, a negociação envolveu Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por integrar uma organização criminosa armada.

A condenação de Calixto ocorreu no julgamento da Ação Penal 2.434, relacionada aos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Em fevereiro de 2026, a Primeira Turma do STF condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pelos homicídios e também condenou Robson Calixto por organização criminosa. A Corte descreveu o grupo como uma organização criminosa armada ligada a milicianos.

Em junho, a Primeira Turma rejeitou os recursos apresentados pelos cinco condenados, mantendo as condenações. No caso de Robson Calixto, a pena estabelecida pelo STF é de nove anos de reclusão.

Emenda parlamentar

Segundo o editorial, Flávio Bolsonaro afirmou, ao ser questionado sobre a destinação dos recursos, que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e que a responsabilidade pela prestação de contas caberia ao destinatário do dinheiro.

O Estadão, porém, afirma que essa resposta não esclareceria a relação política entre integrantes do gabinete do senador e Calixto.

O episódio ganhou relevância adicional porque Calixto foi condenado pelo STF como integrante de uma organização criminosa armada. Segundo a decisão da Corte, os irmãos Brazão e Calixto integravam essa estrutura.

Declarações sobre milícias

O editorial também recupera declarações feitas por Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Em discurso registrado nos arquivos oficiais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio afirmou que não se deveria “estigmatizar as milícias” e classificou a atuação de policiais envolvidos nesses grupos como um “novo tipo de policiamento”. Na mesma manifestação, disse considerar que casos de violência praticados por alguns integrantes não deveriam ser generalizados para todo o fenômeno.

O Estadão também relembra a presença, no antigo gabinete de Flávio na Alerj, de familiares de Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado pelas investigações como integrante de estruturas criminosas no Rio de Janeiro. Adriano morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia.

O histórico é usado pelo jornal para sustentar sua interpretação de que o episódio envolvendo “Peixe” não deveria ser analisado isoladamente.

O que está comprovado e o que é avaliação

A condenação de Robson Calixto pelo STF é um fato judicial documentado. Também é pública a declaração de Flávio Bolsonaro sobre as milícias registrada nos arquivos da Alerj.

Já a afirmação de que uma eventual Presidência de Flávio Bolsonaro poderia representar a chegada das milícias ao topo do poder é uma avaliação expressa pelo editorial do Estadão, e não uma conclusão estabelecida por decisão judicial.

O próprio editorial termina reconhecendo que a escolha presidencial cabe aos eleitores, mas defende que o histórico político do senador seja considerado no debate eleitoral.

O caso coloca novamente em discussão as relações políticas construídas por Flávio Bolsonaro durante sua trajetória no Rio de Janeiro e as explicações públicas dadas pelo senador sobre episódios envolvendo pessoas posteriormente condenadas pela Justiça.

A reportagem do Jornal Local registra as informações documentadas e as avaliações atribuídas ao Estadão, sem transformar uma conclusão editorial em fato comprovado.

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