Zanin nega liminar de Alessandro Vieira para obrigar Senado a instalar CPI do Banco Master

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O ministro concentrou a análise, nesta etapa, na existência ou não de elementos suficientes para caracterizar uma omissão ilegal da Presidência do Senado. Foto Reprodução

Ministro do STF afirma que senador Alessandro Vieira não comprovou, neste momento, omissão ilegal da Presidência do Senado; decisão ainda pode ser reavaliada

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Por Sandra Venancio – Jornal Local

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de liminar apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para obrigar o Senado a dar andamento à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar fatos relacionados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.

A decisão foi assinada na terça-feira (22) e divulgada nesta quarta-feira (23). Zanin entendeu que, neste momento, não foram apresentados elementos suficientes para comprovar uma omissão inconstitucional do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na tramitação dos requerimentos.

O ministro destacou que os documentos apresentados por Alessandro Vieira demonstram a existência do requerimento e das assinaturas necessárias, mas não esclarecem de forma suficiente como o pedido tramitou dentro do Senado nem quais providências foram adotadas pela Presidência da Casa.

Requerimento anterior

Outro ponto considerado por Zanin foi a existência de um requerimento anterior de CPI relacionado aos fatos envolvendo o Banco Master.

Segundo o ministro, o próprio senador reconheceu a existência desse pedido anterior, mas não apresentou informações suficientes sobre sua tramitação nem sobre a eventual existência de outros requerimentos com objeto semelhante.

Na avaliação de Zanin, o novo pedido apresentado por Vieira pode representar um desdobramento de fatos já abrangidos pela solicitação anterior, e não necessariamente uma investigação completamente nova. Por isso, seria necessário esclarecer a situação antes de concluir que houve omissão ilegal da Presidência do Senado.

A decisão, porém, não encerra o processo nem impede definitivamente a instalação da CPI. Zanin determinou que Davi Alcolumbre seja notificado para prestar informações. Depois dessa etapa, o caso deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República, e o ministro poderá reavaliar o pedido.

Pedido tinha 41 assinaturas

O requerimento apresentado por Alessandro Vieira foi protocolado em março e, segundo informações divulgadas sobre o caso, reúne 41 assinaturas, acima do mínimo constitucional de 27 senadores necessário para a criação de uma CPI no Senado.

O pedido prevê prazo de 120 dias e limite de despesas de R$ 50 mil. A comissão pretende investigar possíveis relações entre os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, conforme descrito no requerimento.

A Constituição estabelece que uma CPI no Senado precisa do apoio de pelo menos um terço dos integrantes da Casa. Além das assinaturas, o requerimento precisa indicar fato determinado e prazo de funcionamento, e a instalação depende da leitura do pedido em plenário.

Caso Master amplia disputa entre Congresso e STF

A tentativa de criação da CPI ocorre em meio à série de investigações e disputas políticas relacionadas ao Banco Master e às relações atribuídas a Daniel Vorcaro com integrantes dos Poderes da República.

O tema também passou a envolver questionamentos de parlamentares sobre ministros do STF. Ao mesmo tempo, o Senado recebeu outros pedidos relacionados ao caso, o que contribuiu para a discussão sobre a tramitação das iniciativas dentro da Casa.

A decisão de Zanin não analisou o mérito das suspeitas envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro ou os ministros citados no requerimento. O ministro concentrou a análise, nesta etapa, na existência ou não de elementos suficientes para caracterizar uma omissão ilegal da Presidência do Senado.

Alessandro Vieira informou que pretende apresentar novas informações ao STF e pedir a revisão do entendimento.

Por enquanto, portanto, a CPI continua sem instalação por determinação judicial. O próximo passo será a manifestação da Presidência do Senado e, posteriormente, a análise do caso pelo próprio Zanin.

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