
Coligação de Lula acusa campanha do senador de utilizar rede coordenada de perfis no Instagram; ministro determina preservação de dados e dá cinco dias para defesa
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o prosseguimento de uma investigação que apura uma suposta atuação coordenada de perfis no Instagram em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A ação foi apresentada pela Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e também envolve o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL) e o deputado federal Mário Frias (PL-SP).
A decisão é do corregedor-geral da Justiça Eleitoral em exercício, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que determinou o processamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0602140-41.2026.6.00.0000. O ministro determinou que o Facebook preserve e forneça dados das contas apontadas na ação e que a Shopee informe dados relacionados à loja Bella Chic Store. As empresas têm prazo de 48 horas para cumprir as determinações, sob pena de multa diária de R$ 50 mil por obrigação.
Investigação envolve publicações em “collab”
Segundo a acusação apresentada pela coligação, a ferramenta “collab”, que permite que uma publicação seja exibida simultaneamente nos perfis de diferentes usuários, teria sido utilizada de forma coordenada para ampliar o alcance de conteúdos relacionados à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O levantamento apresentado ao TSE aponta 1.826 publicações colaborativas envolvendo 492 perfis. Segundo os dados apresentados pela coligação, 74 desses perfis seriam contas oficiais de candidatos ou campanhas, responsáveis por 207 publicações em conjunto. Desses, 26 estariam ligados ao PL.
A acusação sustenta que a utilização sistemática da ferramenta poderia produzir efeito semelhante ao de impulsionamento eleitoral, ampliando a distribuição de conteúdos para públicos que não necessariamente acompanham os perfis oficiais das campanhas.
O TSE, entretanto, ainda não concluiu que houve irregularidade eleitoral. A investigação foi aberta justamente para reunir informações e verificar as circunstâncias apontadas na ação.
Mário Frias aparece em publicações
O deputado federal Mário Frias é citado na investigação por participação em publicações colaborativas. Segundo o levantamento apresentado pela coligação, Frias participou de dez “collabs”, sendo nove delas com o perfil @flaviobolsonaroapoio.
A competência do TSE para analisar especificamente a situação eleitoral de Mário Frias, que disputa novo mandato de deputado federal por São Paulo, ainda será examinada no processo.
Meta terá de preservar dados
Na decisão, Cueva determinou que o Facebook Serviços Online do Brasil, responsável pelo Instagram, preserve registros relacionados às contas investigadas.
A plataforma deverá fornecer informações que permitam identificar titulares e administradores das contas, além de registros de conexão e endereços de IP, conforme as determinações estabelecidas pelo tribunal.
A medida também alcança contas que eventualmente tenham sido retiradas do ar. Segundo o TSE, a preservação dos dados busca evitar a perda de elementos necessários à investigação.
O ministro também determinou a suspensão da divulgação de determinados links de venda encontrados nos perfis indicados na ação.
Loja na Shopee também entrou na investigação
A acusação apresentada ao TSE aponta que 12 perfis, que juntos teriam mais de 10 milhões de seguidores, divulgavam links para produtos eleitorais comercializados pela plataforma Shopee. Os links levariam à loja Bella Chic Store.
A Shopee foi obrigada a informar ao tribunal os dados cadastrais e os responsáveis pela loja, além de informações relacionadas aos links indicados no processo.
Cueva, porém, não determinou a suspensão das vendas dos produtos. Segundo o TSE, o ministro considerou que, neste momento, não havia elementos suficientes para estabelecer uma relação entre a loja e as candidaturas investigadas.
Defesa nega irregularidades
A campanha de Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que a utilização da ferramenta “collab” não constitui, por si só, uma prática ilícita.
Segundo a defesa, as publicações seriam resultado de iniciativas voluntárias e orgânicas de apoiadores. Os envolvidos também negam a existência de uma rede de desinformação e classificam a estrutura apontada na ação como uma rede de apoio e crítica ao governo Lula.
Os investigados terão cinco dias para apresentar defesa. Depois dessa etapa, o processo será encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral.
Investigação ainda não aponta responsabilidade eleitoral
A decisão do TSE não representa condenação de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar ou Mário Frias e também não estabelece, neste momento, que as publicações tenham configurado impulsionamento eleitoral irregular. O tribunal determinou a preservação e coleta de informações para verificar as acusações apresentadas pela coligação.
O caso poderá esclarecer, entre outros pontos, quem administrava os perfis, como eram feitas as publicações colaborativas e se existia algum vínculo entre as contas de apoio e as campanhas investigadas.
A apuração ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, o que levou o ministro a considerar a preservação imediata das informações necessária para evitar eventual perda de provas.


