As micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas estão crescendo mais. Durante os últimos nove meses, o faturamento na receita real dos empreendimentos registrou crescimento constante quando comparado aos mesmos períodos em 2009. É o que revela a pesquisa Indicadores Sebrae-SP, lançada na sexta-feira (20). O resultado está associado à retomada das atividades das empresas de micro e pequeno porte.
Em junho, último mês registrado, as MPEs apresentaram crescimento de faturamento real de 5,6% sobre o mesmo mês em 2009. Neste mês, todos os setores econômicos apresentaram crescimento de faturamento real. A indústria cresceu 12,2%, enquanto o setor de comércio evoluiu 1,1% e serviços, 9,8%. Com esses resultados, as MPEs fecharam o primeiro semestre de 2010 com aumento de 10,7% na receita real sobre o primeiro semestre de 2009. É a maior taxa de crescimento de faturamento para um primeiro semestre do ano desde o início da pesquisa, em 1998.
Para o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, os resultados do mês de junho foram especialmente expressivos, considerando as particularidades do período. No mesmo mês ocorreram três interrupções em dias úteis, por conta da Copa do Mundo, além da economia já não contar com as isenções de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na venda de bens de consumo duráveis.
Neste cenário, lembra Tortorella, “é importante que as MPEs disponham de um ambiente favorável para crescer e gerar postos de trabalho. Os esforços do Sebrae-SP em promover a regulamentação da Lei Geral das MPEs nos municípios paulistas são uma contribuição para a melhora desse ambiente”.A indústria, setor que teve o maior crescimento de receita, na comparação entre o primeiro semestre de 2009 e o primeiro semestre de 2010 (+19,7%) , foi também o setor mais atingido pela crise mundial. Comércio (+7,1%) e Serviços (+11,5%) também registraram crescimento de faturamento real no período.
Expectativas
Na pesquisa, 40% dos proprietários de MPEs declararam esperar manter o faturamento da empresa nos próximos seis meses. Outros 34% informaram esperar aumento no nível de receita do negócio e 25% declararam não saber como será a evolução.
Para o segundo semestre deste ano, os analistas de mercado apontam uma tendência de crescimento na economia brasileira. Segundo o consultor do Sebrae-SP, Pedro Gonçalves, esta melhoria no cenário deverá ser motivada por ações internas, como controle da inflação e aumento do poder aquisitivo da população. “As MPEs tendem a acompanhar a retomada da atividade econômica, uma vez que o mercado interno é o principal mercado do setor”, declara.
Para ele, é provável que ocorram taxas mais moderadas de crescimento na receita das MPEs no segundo semestre. De um lado, os impactos dos aumentos nos juros básicos (taxa Selic) tendem a moderar o ritmo de crescimento da economia. Por outro, o desempenho das MPEs no início do ano já registrava recuperação no faturamento, se comparado com 2009, ano da crise financeira mundial.




