Citada como coordenadora de um esquema de fraudes em contratos públicos em Campinas investigado pelo Ministério Público, a primeira-dama e chefe de Gabinete da prefeitura, Rosely Nassim Jorge Santos, está em férias a partir desta segunda-feira (30). Ela será substituída pelo diretor de Gabinete Orlando Maroca Filho. Segundo o Departamento de Comunicação (Decom), o descanso estava programado e não está relacionado ao escândalo que atingiu a administração municipal há dez dias, quando 20 pessoas tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça, entre elas o vice-prefeito Demétrio Vilagra, o ex-coordenador de Comunicação, Francisco de Lagos, e o ex-secretário de Segurança Pública, Carlos Henrique Pinto.
Segundo as investigações do MP, as negociações eram feitas no Palácio dos Jequitibás, sede do Poder Administrativo da cidade. O material apresenta informações detalhadas de como tudo acontecia nos bastidores do poder público, envolvendo diretamente a primeira-dama.
As denúncias de fraudes foram confirmadas em janeiro deste ano, pelo ex-presidente da Sanasa, Luiz Augusto de Aquino. Engenheiro eletrônico, Aquino começou a fazer parte do episódio quando assumiu a presidência da empresa em janeiro de 2005. Ele ficou no cargo até julho de 2008. O esquema, segundo o ex-presidente, começou no primeiro ano de sua gestão. Para não ser preso, Aquino se beneficiou da delação premiada, programa que permite a ele não ser preso durante as investigações.
Segundo a versão dele, a coordenação geral do esquema ficava com a esposa do prefeito de Campinas e também chefe de Gabinete, Rosely Nassim Jorge Santos. O diretor técnico da Sanasa, Aurélio Cance Junior, era responsável pela arrecadação de dinheiro de obras. Luiz de Aquino cuidava do valor que entrava nos contratos de serviços prestados à Sanasa. Já os diretores comercial José Elias Marin e administrativo financeiro Luiz Landes da Silva Pereira não participavam da arrecadação, mas evitavam qualquer impasse no negócio. Meses depois do início do esquema, Landes deixou a Sanasa, e foi substituído por Marcelo de Figueiredo, que além de participar do esquema, também recebia o dinheiro.
De acordo com o juiz da 3ª Vara Criminal de Campinas, Nelson Augusto Bernardes, Rosely Santos não teve a prisão temporária decretada porque está protegida por um habeas corpus preventivo, obtido no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ), semanas antes da megaoperação da Corregedoria da Polícia Civil.




