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sábado, fevereiro 7, 2026
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Morte de sul-africano foi causada por febre maculosa

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Não há risco de transmissão entre pessoas. Arenavirus foi dascartado por testes laboratoriais realizados na Fiocruz

Após investigações, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em conjunto com o Ministério da Saúde e as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, identificaram a causa do óbito de William Charles Erasmus, sul-africano de 53 anos morto na última terça-feira, 2 de dezembro, no Rio de Janeiro, com um quadro de febre hemorrágica não identificada. O resultado da investigação mostra que a morte foi causada por febre maculosa, doença transmitida por carrapatos. Não há risco de transmissão entre pessoas.

A partir de dados sobre o período de estadia do sul-africano no Brasil e o tempo necessário para a manifestação de sintomas, foi concluído que a contaminação não ocorreu no Brasil. Erasmus chegou ao Brasil, proveniente da África do Sul, no dia 23 de novembro à noite e apresentou os primeiro sintomas no dia 25 de novembro. As manifestações clínicas da infecção por arenavírus surgem após um período de incubação que leva, em média, 7 dias, podendo variar de um mínimo de 2 a um máximo de 15 dias.

“Como os sintomas apareceram dois dias depois de sua chegada ao Brasil e ele só foi do aeroporto para o hotel e de lá para o trabalho, não houve circunstância nem tempo hábil para que ele tivesse sido infectado aqui”, afirmou o vice-presidente de Serviços de Referência e Ambiente da Fiocruz, Ary Carvalho de Miranda.

O caso da morte do sul-africano mobilizou um grupo de especialistas que levantou diversas linhas de investigação. A investigação epidemiológica, que comprovou a ausência de vínculo entre este óbito e os casos de infecção por arenavírus que ocorreram recentemente na África do Sul, e os testes de diagnóstico em laboratório descartaram a suspeita de infecção por este vírus. Os testes finais foram concluídos pela Fiocruz na noite de sábado, 6 de novembro.

As suspeitas de hantavírus, herpes, hepatites, febre amarela, leptospirose, malária e dengue, entre outras, também foram descartadas por testes laboratoriais. “Todas as suspeitas foram verificadas à exaustão. Era necessário aventar todas as possibilidades, até que chegamos ao diagnóstico de febre maculosa”, diz o epidemiologista Eduardo Hage, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério.

Dado que a febre maculosa não é transmitida por meio de contato entre humanos, a partir deste domingo o Ministério da Saúde, as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde suspenderam o monitoramento clínico que vinha sendo realizado em 75 pessoas, até então. Não é necessária nenhuma outra medida de proteção da saúde população, relacionada a este caso.

FEBRE MACULOSA – A equipe da Fiocruz, liderada pela pesquisadora Elba Lemos, finalizou o diagnóstico de febre maculosa na manhã deste domingo, por meio de análise de PCR (com base na identificação do DNA da Rickettsia), no Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do IOC/Fiocruz (Laboratório de Referência Nacional para Rickettsioses).

Como a morte foi causada por quadro de febre hemorrágica e o paciente teve passagem por localidades onde ocorrem doenças inexistentes no Brasil, todos os procedimentos foram desenvolvidos em laboratórios de nível de biossegurança 3 (NB3) – procedimento recomendado para a investigação de agente patogênico desconhecido -, garantindo a contenção do agente e a segurança dos profissionais envolvidos nas análises.

A doença é de difícil diagnóstico, sobretudo em sua fase inicial, uma vez que os sintomas são semelhantes aos de outras doenças infecciosas febris. O início geralmente é abrupto e os primeiros sintomas são inespecíficos, incluindo febre (em geral, elevada), dores de cabeça, dores musculares, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos. Podem ocorrer hemorragias na evolução da doença.

Os pesquisadores realizarão a caracterização molecular da Rickettsia, para identificar qual espécie foi responsável pelo óbito. A informação será repassada à Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

Sobre a febre maculosa

A febre maculosa pode ser causada por bactérias do gênero Rickettsia. Existem mais de 20 espécies de ricketssia que podem causar febre maculosa. A febre maculosa é uma doença infecciosa febril aguda, que pode causar desde formas assintomáticas até formas graves, com elevada taxa de letalidade. No Brasil e nos Estados Unidos, a doença é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii.

A doença é transmitida ao homem exclusivamente pelo carrapato infectado. No Brasil, o principal reservatório da Rickettsia rickettsii é o carrapato da espécie Amblyomma cajennense, conhecido como carrapato-estrela. Não há risco de transmissão pessoa a pessoa. Para que a infecção ocorra, o carrapato precisa ficar aderido à pele por algumas horas (de 4 a 6 horas). A transmissão do patógeno também ocorrer no momento do esmagamento do carrapato, se houver lesões na pele. Os carrapatos permanecem infectados durante toda a vida, que em geral dura 18 meses.

O quadro clínico é marcado por início brusco, com febre elevada e cefaléia (dores de cabeça), podendo haver dores musculares intensas e prostração. Na evolução da doença, podem ocorrer hemorragias, náuseas e vômitos. As manifestações clínicas surgem após um período de incubação que leva em média 7 dias, podendo variar de 2 a 15 dias. O surgimento de lesões exantemáticas na pele aumentam o grau de suspeição, muito embora existam casos nos quais este sinal pode não ser detectado – no caso de pacientes afro-descendentes, por exemplo.

No Brasil, o primeiro caso foi identificado em 1929. De 1997 a 2008, foram registrados 641 casos confirmados no país. Em 2007 e 2008, houve 136 casos, sobretudo em Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Nestes dois últimos anos, o Rio de Janeiro registrou 17 casos.

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