A Secretaria de Saúde deve fechar nos próximos dias um acordo de
parceria com o Hospital Beneficência
Portuguesa, numa medida que vai representar mudança radical no modelo de assistência oftalmológica a pacientes
do Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas. O novo sistema prevê que os atendimentos só vão ocorrer a partir
de encaminhamento das unidades básicas de saúde ou pronto-socorros públicos. Os casos considerados simples,
como conjuntivite, por exemplo, deverão ser atendidos nos Centros de Saúde (CS) ou unidades de Pronto
Atendimento (PA). Os quadros graves serão encaminhados aos três hospitais públicos de referência. Não haverá
mais o chamado atendimento “porta aberta”, como o que funcionava na Clínica Raskin – em que pacientes eram
atendimentos diretamente por especialistas, 24 horas.
O modelo – apresentado ontem (11/02) na Câmara de Vereadores durante debate promovido pelo vereador Dário Saadi
(DEM) – é consequência de uma crise aberta no final do ano passado, quando a Raskin – então a principal
referência do setor na cidade e que fazia cerca de 3,5 mil atendimentos por mês – suspendeu os atendimentos
noturnos e de finais de semana e feriados, alegando falta de especialistas. Hoje fila de espera é de quase 13
mil pessoas. Uma consulta na rede municipal pode chegar a cinco meses.
O problema, segundo o Secretário de Saúde, Francisco Kerr Saraiva, que participou do encontro na Câmara, é que
na Clínica Raskin realizava todos os tipos de procedimentos – desde a identificação de causas de um eventual
desconforto nos olhos, até a classificação dos chamados vícios de refração – miopia, astigmatismo e
hipermetropia. Além disso, ainda tinha de avaliar e encaminhar os casos de emergência para os hospitais Ouro
Verde, HC da Unicamp e Celso Pierro, da PUC-Campinas.
O acordo com a Beneficência Portuguesa depende de aprovação pelo Conselho Municipal de Saúde, mas as
conversações estão adiantadas. O hospital se compromete a montar estrutura – com a compra de equipamentos,
contratação de pessoal e adaptação de uma área específica para esse fim. Depois, cobra pelo serviço prestado. O
acordo depende de aprovação pelo Conselho Municipal de Saúde. “Assim que for aprovado, temos um período de 90
dias para colocar o sistema em funcionamento, mas garanto que fazemos isso muito antes desse prazo”, afirmou o
vereador Arley de Lara (PSB), que também é presidente do hospital. Ele exige, porém, algumas garantias. “Não
podemos investir na compra de equipamentos sem que tenhamos a certeza do acordo”, argumentou. Só de
equipamentos, a Beneficência prevê gastar R$ 900 mil.
A coordenadora de especialidades da Secretaria de Saúde, Valéria Vendramini, diz que entrada da Beneficência no
sistema vai por fim à crise no atendimento. Segundo ela, entre 70% e 80% dos pacientes da Clínica Raskin – que
estão na fila de espera hoje – se referem aos casos de refração. Ela acha que assim que os dois hospitais
estiveram trabalhando simultaneamente, a espera vai cair para menos de dois meses.
Vendramini diz que o sistema a ser aplicado agora no setor de oftalmologia nada mais é que o adotado por outros
setores da Saúde. “Ninguém que reclame hoje de um problema no coração, por exemplo, é atendido diretamente por
um cardiologista. Ele só chega ao especialista depois de um encaminhamento pela rede básica”, argumenta.
O vereador Dário Saadi diz que a Câmara vai acompanhar o desenvolvimento do novo sistema. “Se dentro de três ou
quatro meses a gente perceber que não está funcionando, vamos pressionar para que o sistema antigo seja
retomado”, garantiu.
Dário e Kerr Saraiva marcaram um novo encontro de avaliação para dentro de três meses.




