Aumento de delitos, creditados a uma quadrilha, vem assustando moradores da região do centro e bairros próximos
Se um dia a região de Sousas foi considerada uma das áreas com melhor qualidade de vida em Campinas, hoje a violência põe sob suspeito este título. Os relatos de furtos e roubos de residências tornaram-se corriqueiros, assustando a população. Vítima de arrombamento, uma pessoa que não quis se identificar, diz que teve de se cercar de alarmes e outros dispositivos para garantir a sua segurança. “Antigamente era muito mais tranquilo. De uns três a quatro anos vem aumentando vertiginosamente. Hoje, vivo em um presídio”, disse.
Em outro caso, o administrador escolar Anis Carlos Fares teve a casa roubada por três pessoas. O seu filho entrava na garagem e, quando foi fechar, foi surpreendido pelos bandidos. “Eles chegaram e apontaram a arma para a cabeça do meu filho”, disse. Levaram o carro, TV, relógios, celulares e documentos. Somente o automóvel e a documentação foram encontrados. “Você não tem mais segurança. É assalto atrás de assalto. Cinco casas aqui na minha rua também foram invadidas”. Fares, que mora há anos no local, diz que tranquilidade está abalada e a rotina alterada. “Você está preso e a bandidagem está a solta. Hoje há tensão tanto para sair quanto para entrar e eu não saio mais a noite”, lamenta.
O delegado do 12º DP, Mário Bergamo, atribui os casos a uma nova quadrilha, formada a partir de uma anterior, desfeita pela polícia entre 2005 e 2006. Na ocasião, dois membros foram capturados. “De uns três a quatro meses pra cá, voltou a ocorrer casos similares do que havia acontecido anteriormente. Existem fortes indícios que seja uma quadrilha com elementos, que estão com prisão preventiva decretada, e que integravam o bando antigo”, afirmou.
Os ladrões invadem as residências buscando, principalmente, armas de fogo, joias e equipamentos eletrônicos, o que se assemelha muito com casos anteriores. “A maneira de agir, o tipo de produto, e a conduta é bem similar ao que acontecia antes”. Além dos dois investigadores do 12º DP, o caso está sendo acompanhado pelo Departamento de Investigações Gerais (DIG). Questionado sobre o fato de os delitos espantarem a tranquilidade habitual do distrito, Bergamo é enfático. “Foge da normalidade daqui, porém acredito que depois conseguimos formalizar bem em cima desse pessoal, vai dar uma diminuída”. Para isso, no entanto, o delegado pede que as pessoas não deixem de procurar a delegacia quando tiverem qualquer informação. “Não divulgamos o nome de quem denunciou. Isso jamais será feito. O que nós pudermos fazer, inclusive em relação à identificação fotográfica, sem expor a pessoa, com todas as seguranças, vai ser feito”, garantiu.
Números da violência
Só em fevereiro e março deste ano, o 12º DP responsável por Sousas e Joaquim Egídio já registrou: 88 furtos e 23 roubos.
Eric Rocha




