Desde as eleições de 2002, todos os candidatos a cargos eletivos precisam declarar o seu
patrimônio à Justiça Eleitoral. Isso permite estabelecer uma comparação básica entre a renda dos representantes eleitos e a dos eleitores. É o que resume a tabela seguinte, em que o seis patrimônio médio dos parlamentares é dividido pelo PIB per capita de cada estado (IBGE, 2005). Alguns aspectos precisam ser levados em conta:
1. Só 27 senadores foram eleitos em 2006. Destes, existe no TSE a informação sobre seu
patrimônio declarado. Para os eleitos em 2002, buscaram-se os dados (quando existentes) no projeto “Políticos do Brasil” , mantido pelo jornalista Fernando Rodrigues.
2. Apesar da obrigatoriedade de prestar declaração de bens, alguns parlamentares deixaram de fazê-lo, ou declararam não possuir nenhum patrimônio. Esses não foram contados no cálculo do patrimônio médio por estado.
3. A divisão do patrimônio médio dos parlamentares de um estado pelo PIB per capita
desse estado resulta no número de anos que a média dos cidadãos comuns daquele
estado precisaria produzir sem gastar um tostão para atingir o mesmo patrimônio médio.
No Ceará uma pessoa comum precisaria trabalhar durante 1770 anos, sem gastar um centavo, para gerar o equivalente ao patrimônio de seus senadores. Em Alagoas, esse tempo seria um pouquinho menor: 1603 anos, e no Maranhão 751 anos.
Na Câmara dos Deputados, a bancada mais próspera em comparação com a população do estado é a do Paraná. Cada paranaense teria de trabalhar durante 669 anos para gerar riqueza equivalente à média do patrimônio de seus deputados federais. Os representantes de goianos e potiguares possuem riqueza mais de 500 vezes superior ao que um cidadão médio desses estados produz em um ano. Apenas em onze estados é preciso trabalhar menos de 100 anos, sem nenhum gasto, para atingir patrimônio parecido com o de seus representantes na Câmara dos Deputados. No estado que apresenta a menor disparidade, o Rio de Janeiro, a quantidade de anos atinge 31. No Maranhão, seriam necessários 356 anos para um cidadão gerar um patrimônio igual à média dos deputados estaduais; no Mato Grosso do Sul, 236 anos e, em Minas Gerais, 213. Em outros seis estados – RN, PI, AL, PE, CE e BA o período ultrapassa os cem anos. No estado de São Paulo registra-se a menor quantidade de tempo: 12 anos.
Fonte: www.transparencia.org.br
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