Recuo foi negociado com Lula após pressão de indígenas do Tapajós e desagrada áreas da infraestrutura e agricultura

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, atuou diretamente pela revogação de um decreto que previa a concessão de hidrovias na região amazônica, em articulação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em viagem oficial à Ásia. A decisão ocorreu após aumento da pressão de comunidades indígenas contrárias ao projeto, especialmente na região do Tapajós, no Pará.
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp
O decreto fazia parte de um programa voltado ao escoamento da produção, com foco no transporte hidroviário de cargas, incluindo commodities agrícolas. Povos indígenas da região afirmaram que a ampliação da navegação comercial ameaça territórios tradicionais e modos de vida. Nos últimos dias, manifestações foram registradas em Santarém (PA) e em São Paulo, inclusive em instalações da multinacional Cargill.
A revogação foi anunciada em reunião no Palácio do Planalto com a presença da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, além de lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais.
Nos bastidores, a decisão provocou desconforto em áreas do governo ligadas à Casa Civil, à Advocacia-Geral da União, ao Ministério de Portos e Aeroportos e ao Ministério da Agricultura. Integrantes dessas pastas teriam manifestado insatisfação com a condução do processo e com o impacto sobre projetos estruturantes de infraestrutura logística.
Apesar das críticas internas, prevaleceu a avaliação de que a escalada do conflito poderia ampliar tensões com setores sociais historicamente alinhados ao governo, especialmente em contexto pré-eleitoral. A decisão evidencia o embate entre agendas de desenvolvimento logístico e demandas socioambientais dentro da própria Esplanada.




