Visita de Lula a Seul consolida aproximação com a Ásia e amplia cooperação em minerais críticos e inovação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido nesta segunda-feira (23) em Seul pelo presidente sul-coreano Lee Jae Myung, com cerimônia oficial e assinatura de dez acordos bilaterais nas áreas de comércio, tecnologia, saúde, agricultura e segurança pública. A visita ocorre após passagem pela Índia, onde o governo brasileiro também fechou compromissos preliminares, incluindo um documento inédito sobre minerais críticos e terras raras.
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Após reuniões com ministros, empresários e autoridades dos dois países, Brasil e Coreia do Sul decidiram elevar o relacionamento diplomático ao nível de Parceria Estratégica, com um plano de ação conjunto para os próximos três anos. Entre os eixos prioritários estão a transição energética, a agregação de valor nas cadeias de minerais críticos e a cooperação em setores de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial.
Recepção e discurso
Lee Jae Myung destacou a trajetória política de Lula e o papel do Brasil no cenário internacional, tanto em discurso oficial quanto em publicação nas redes sociais. O presidente brasileiro, por sua vez, afirmou que a agenda em Seul encerra um ciclo de aproximação com países asiáticos iniciado neste terceiro mandato, citando viagens anteriores à China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia e Vietnã, além da participação em cúpula da ASEAN.
Lula ressaltou que a Coreia do Sul ocupa posição estratégica por sua liderança em inovação e tecnologia, além da influência cultural crescente no Brasil. Ele também lembrou que o país abriga a maior comunidade coreana da América Latina, estimada em cerca de 50 mil pessoas.
Acordos assinados
A agenda bilateral resultou na formalização de dez instrumentos de cooperação. Entre eles está o Arranjo sobre Comércio e Integração Produtiva, voltado à facilitação do comércio e à aproximação de cadeias industriais. Também foi firmado memorando entre os ministérios da Fazenda do Brasil e de Finanças e Economia da Coreia para reforçar o diálogo econômico.
Na área agrícola, os governos assinaram acordos para cooperação em produção de alimentos, tecnologias agroindustriais e segurança sanitária. Houve ainda instrumentos envolvendo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Administração de Desenvolvimento Rural coreana.
No setor de saúde, foi assinado memorando para cooperação em produção de medicamentos e vacinas, pesquisas sobre doenças transmissíveis e crônicas e iniciativas em saúde digital. Em inovação, os países firmaram acordo em ciência e tecnologia e parceria voltada ao fortalecimento de pequenas e médias empresas e startups, incluindo projetos em inteligência artificial.
Também foi estabelecido memorando entre a Polícia Federal e a Agência Nacional de Polícia da Coreia para reforçar o combate ao crime organizado transnacional.
Contexto diplomático
O presidente brasileiro destacou que esta é a terceira visita oficial a Seul — as anteriores ocorreram em 2005 e 2010 — e afirmou que o intervalo sem viagens presidenciais não refletia o nível das relações econômicas e sociais entre os dois países. Segundo Lula, em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas e transformações tecnológicas, a aproximação com economias asiáticas é estratégica para ampliar mercados, atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas de alto valor agregado.




