A Câmara Municipal de Campinas abriga no dia 24 de agosto, o 1º Simpósio Internacional – Avanços em Diagnóstico e Intervenção em Saúde Mental da Infância e Adolescência. O seminário – que terá como tema central a importância do diagnóstico precoce – vai contar com as presenças de alguns dos maiores especialistas brasileiros da área e com palestra do médico holandês Athanasios Maras, considerado uma das maiores autoridades do mundo no assunto. Psiquiatra infantil, Maras é diretor do Instituto Yulius – considerado modelo mundial em atenção à saúde mental para crianças e adolescentes.
Coordenadora da Comissão Científica do Evento, a psiquiatra Sueli Cabral Rathsam diz que o Brasil precisa adotar medidas urgentes para fazer o diagnóstico precoce da patologia. Ele diz que na Alemanha, por exemplo, um país que há muito anos desenvolve política referencial de atendimento, o diagnóstico se dá entre os dois e quatro anos. No Brasil, a precária rede de atendimento só vai identificar o autismo entre os nove e 12 anos. “Quando se chega a um diagnóstico, a criança já perdeu todo o ciclo de alfabetização”, relata. Estima-se que existam na Região metropolitana de Campinas perto de 50 mil crianças com algum tipo de transtorno mental; destas 1,5% possuem alguma patologia do espectro autista.
A especialista diz ainda que o Brasil não possui qualquer protocolo de atendimento e, justamente por isso, não consegue identificar o problema no devido tempo. “Nós temos mais autistas que pessoas com Síndrome de Down, mas o país, simplesmente, não possui uma política de atendimento”, lamenta. “Hoje, os poucos casos diagnosticados são atendidos em instituições específicas ou em serviços universitários, mas estes, estão fechado há anos para novos casos, porque não têm condições de atender mais gente”, afirma.
A partir do diagnóstico precoce, diz ela, será possível criar mecanismos de inclusão dessas crianças. Uma das bandeiras é fazer cumprir uma lei sancionada no ano passado, que assegura aos autistas os mesmos direitos de uma pessoa portadora de deficiência. Conhecida como Lei Berenice Piana, a legislação garante desde atendimento preferencial em banco, até o direito de estudar em escola regular.
Atualmente as patologias mentais atingem em média 700 milhões de pessoas no mundo e pelo menos um terço desse público não possuem acompanhamento médico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).





