No próximo mês o Centro de Referência e Apoio à Mulher (CEAMO) de Campinas completa 12 anos e vai lançar um serviço de atendimento itinerante nos bairros. O anúncio foi feito pela coordenadora do órgão e da Coordenadoria da Mulher, Paula Selhi, durante a reunião da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Mulher realizada na Câmara Municipal nesta terça-feira, dia 20 de agosto.
“Assumi recentemente o CEAMO e agora, à frente dos dois órgãos, vamos agilizar o trabalho de defesa e atendimento às mulheres com a reestruturação. Vamos à campo, conhecer a vulnerabilidade delas, levando informação, divulgando o trabalho e até fazendo a intervenção, se for necessário”, disse.
Paula afirmou ainda que neste ano, dos 780 boletins de ocorrência registrados na Delegacia de Defesa da Mulher apenas 20 tiveram o atendimento do CEAMO.
Inicialmente a equipe deve tomar conhecimento dos casos através dos postos de saúde, Organizações Não Governamentais (ONG’s), escolas, associações de bairros, etc. “Não temos acesso aos boletins de ocorrência, mas poderemos ter informações de em qual bairro ou região há uma demanda maior”, explicou. O trabalho deve desenvolver-se através da criação de comissões ou células, com a participação de mulheres que são líderes em suas comunidades.
O CEAMO é um programa da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social da Prefeitura de Campinas. Tem como finalidade prestar acolhimento, atendimento psicossocial e orientação jurídica à mulher em situação de violência doméstica de gênero.
A presidente da Comissão Permanente da Mulher, vereadora Neusa do São João (PSD), enfatizou a importância desse trabalho. “Percebemos que hoje a mulher precisa de assistência, pois, muitas vezes desconhece os serviços existentes e indo aos bairros, principalmente na periferia, o CEAMO poderá contribuir para quebrar esse círculo de violência.”, falou.
O vereador Carlão do PT, que é membro da comissão, se mostrou preocupado com o atendimento que é dado pelos órgãos públicos hoje. “Nossa preocupação começa com a estrutura da Delegacia da Mulher onde a vítima e o agressor, muitas vezes, ficam no mesmo espaço, podendo a mulher ser coagida. É papel do legislativo fiscalizar o trabalho dos órgãos e fazer a legislação para garantir os direitos ao atendimento que deve ser dado pelos serviços públicos”, afirmou.
O assessor jurídico do CEAMO Régis Vascon elencou algumas ações que devem ser trabalhadas pelo órgão para que a mulher seja, de fato, amparada. “Precisamos trabalhar a divulgação, o empoderamento da mulher, a notificação compulsória e o fluxo de atendimento e encaminhamento dos casos”, ponderou.
A Comissão também debateu a necessidade da capacitação dos profissionais dos Centros de Saúde, delegacia de mulher e demais locais de atendimento para que ao constatar a violência de gênero, informem e encaminhem as mulheres para o CEAMO. “Hoje mesmo encaminhei duzentos e cinquenta kits para a Delegacia da Mulher. Quero que ela saia da delegacia com o folder do CEAMO para garantir atendimento às suas demandas”, salientou





