Daniel Vorcaro prepara acordo com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República com promessa de provas e devolução de mais de R$ 10 bilhões

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A delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deve ser formalizada na próxima semana com autoridades federais, incluindo a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A proposta prevê pagamento de multas bilionárias e entrega de um conjunto robusto de documentos, que podem ampliar o alcance das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo fundos de investimento e instituições bancárias.
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A defesa trabalha para concluir o material ainda neste fim de semana, reunindo dezenas de anexos com detalhamento de valores a serem devolvidos e benefícios solicitados no acordo. A estratégia prevê uma apresentação direta às autoridades, com expectativa de análise em até duas semanas e eventual homologação rápida. Nos bastidores, investigadores demonstram cautela quanto ao cronograma e à extensão das informações que serão efetivamente reveladas.
Preso e transferido em março para a sede da PF em Brasília, Vorcaro mobilizou uma equipe de advogados para organizar dados extraídos de dispositivos eletrônicos já periciados. O material inclui registros financeiros e comunicações que podem indicar a estrutura de movimentação de recursos no Brasil e no exterior.
Valores bilionários e rede internacional
Um dos principais pontos de tensão nas negociações é o montante a ser restituído. Estimativas apontam que mais de R$ 10 bilhões estariam distribuídos em uma rede complexa de fundos, dificultando o rastreamento. Há expectativa de que a delação revele a localização desses ativos, permitindo seu bloqueio pelas autoridades.
O caso envolve cifras ainda maiores. Apenas a fraude relacionada à venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) é estimada em R$ 12,2 bilhões. Também há apurações sobre repasses envolvendo fundos de pensão estaduais e municipais, o que pode ampliar o impacto financeiro e político do escândalo.
Outro elemento central é a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central do Brasil em novembro do ano passado. Segundo o liquidante, Eduardo Bianchini, ao menos R$ 4,8 bilhões já teriam sido desviados antes do processo.
Disputa por ativos e riscos do acordo
A negociação da delação ocorre em meio a disputas sobre o controle e recuperação de recursos espalhados globalmente. Fontes indicam que Vorcaro teme que parte do patrimônio esteja sendo diluída por gestores de fundos, o que acelerou a tentativa de acordo. Para investigadores, o sucesso da colaboração dependerá da capacidade de rastrear ativos e comprovar responsabilidades. O caso expõe fragilidades na fiscalização de estruturas financeiras complexas e pode desencadear novos desdobramentos, incluindo responsabilização de agentes do mercado e revisão de mecanismos de controle sobre fundos e instituições bancárias.




